Na quarta-feira, 6 de maio de 2026, a xAI e a Anthropic anunciaram um acordo inesperado pelo qual a criadora do modelo Claude passará a utilizar 100% da capacidade do Colossus 1, data center da xAI com cerca de 300 MW de potência. O negócio, avaliado em bilhões de dólares, permitiu que a Anthropic elevasse imediatamente seus limites de uso e transformou a xAI de usuária em fornecedora de computação.
Elon Musk explicou, em publicação na rede X, que o treinamento de modelos da companhia já havia sido transferido para o recém-construído Colossus 2, tornando desnecessária a manutenção simultânea dos dois complexos.
Socorro financeiro e rumo ao IPO
O principal produto da xAI, o chatbot Grok, atravessa queda de tráfego desde os problemas com geração de imagens no início do ano. Com uma infraestrutura superior às necessidades atuais do serviço, a locação ao parceiro gera receita adicional no momento em que a xAI, agora integrada à SpaceX, acelera os preparativos para uma oferta pública inicial de ações.
A presença da Anthropic como cliente reforça ainda a tese de viabilidade do projeto de centros de dados orbitais que a SpaceX pretende lançar.
Prioridade em infraestrutura
A operação sinaliza que a estratégia de Musk pode estar mais voltada à construção de data centers do que ao desenvolvimento de modelos de IA próprios. A postura difere da adotada por Google e Meta, que preferem reter recursos de computação para suas próprias iniciativas de inteligência artificial.
No mês passado, Sundar Pichai reconheceu que a receita do Google Cloud ficou aquém do potencial porque a empresa direcionou GPUs para projetos internos. Já a Meta criou o “Meta Compute” para assegurar capacidade suficiente aos planos de Mark Zuckerberg.

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Modelo “neocloud”
Ao focar em infraestrutura, a xAI se posiciona como um negócio “neocloud”: compra GPUs da Nvidia e as aluga a desenvolvedores de modelos. É um segmento pressionado tanto pelos fornecedores de chips quanto pela volatilidade da demanda. Apesar de a xAI ter sido avaliada em US$ 230 bilhões na rodada de janeiro, empresas similares, como a CoreWeave, valem menos de um terço desse montante.
Musk, porém, pretende ampliar o conceito. O plano inclui data centers no espaço a partir de 2035 e produção própria de chips na fábrica Terafab, medidas que podem reduzir — mas não eliminar — a dependência da Nvidia.
Projetos que exigem poder de fogo
Em reunião interna realizada em fevereiro, a xAI apresentou ambições de software que incluem uma parceria com a plataforma de programação Cursor e o projeto Macrohard, voltado a gêmeos digitais em larga escala. Todas essas iniciativas demandam grande volume de computação; ao repassar capacidade a concorrentes, a empresa pode enfrentar limitações para tirar esses planos do papel.
Com informações de TechCrunch






