Robô Curiosity identifica mais de 20 moléculas orgânicas preservadas em Marte

Washington (EUA) – Um experimento químico realizado pelo rover Curiosity, da NASA, revelou a presença de mais de 20 compostos orgânicos em rochas da cratera Gale, em Marte. A detecção inclui heterociclos de nitrogênio, considerados blocos fundamentais para a formação de DNA e RNA, e fornece indícios de que o planeta já contou com ingredientes necessários para sustentar vida microbiana.

Onde e como a análise foi feita

As amostras foram extraídas de arenitos ricos em argila na região de Glen Torridon, dentro da cratera Gale, área que há cerca de 3,5 bilhões de anos abrigava antigos lagos e rios. O experimento, conduzido em 2020, utilizou o laboratório químico interno do robô para aquecer e analisar o material coletado.

Principais achados

Entre as substâncias identificadas está uma molécula nitrogenada com estrutura semelhante a precursores de DNA — nunca antes observada em Marte — além de benzotiofeno, composto sulfuroso frequentemente trazido a planetas por meteoritos. A variedade química encontrada demonstra que moléculas orgânicas podem permanecer preservadas mesmo após longos períodos de exposição à radiação e a processos geológicos.

Limitações e próximos passos

O método do Curiosity não distingue se os compostos têm origem biológica, geológica ou se foram depositados por meteoritos. Para confirmar uma possível assinatura de vida antiga, cientistas afirmam ser necessário enviar amostras à Terra para análises detalhadas.

Contexto da missão

Lançado em 2011 e pousado em Marte em 2012, o Curiosity integra a missão Mars Science Laboratory com o objetivo principal de avaliar se o planeta já apresentou condições habitáveis. Desde então, o robô acumula evidências de ambientes favoráveis à vida, como minerais formados em presença de água.

“É útil comprovar que matéria orgânica antiga está preservada, pois isso permite avaliar a habitabilidade de um ambiente”, explicou Amy Williams, pesquisadora da Universidade da Flórida e integrante das equipes dos rovers Curiosity e Perseverance. O estudo que detalha as novas detecções foi publicado nesta terça-feira, 21, na revista Nature Communications.

O Curiosity segue explorando o registro rochoso marciano em busca de sinais que esclareçam a história climática e a possível existência de vida no planeta vermelho.

Com informações de Folha Vitória

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