Startup Physical Intelligence revela IA capaz de fazer robôs cumprirem tarefas nunca treinadas

A Physical Intelligence, startup de robótica fundada há dois anos em San Francisco, divulgou nesta quinta-feira (16) uma pesquisa que aponta avanços rumo a um “cérebro robótico” de uso geral. Segundo o estudo, o novo modelo π0.7 consegue combinar habilidades aprendidas em contextos diferentes para realizar atividades que não faziam parte do treinamento original.

O conceito central é a generalização composicional. Até agora, o padrão de treinamento em robótica envolvia coletar dados específicos, criar um modelo especializado e repetir o processo para cada nova tarefa. De acordo com os autores, o π0.7 rompe esse ciclo ao “remixar” conhecimentos já adquiridos, gerando ganhos de capacidade acima do crescimento linear do volume de dados.

Teste com fritadeira elétrica surpreende equipe

No experimento mais chamativo, o modelo teve de operar uma fritadeira elétrica praticamente ausente da base de dados. Apenas dois registros continham o aparelho: um vídeo em que um robô fecha a tampa e outro, de fonte aberta, no qual um frasco plástico é colocado dentro do equipamento. Mesmo assim, o sistema conseguiu preparar um inhame com auxílio verbal passo a passo – e exibiu desempenho aceitável sem qualquer orientação prévia.

A pesquisadora Lucy Shi, doutoranda em ciência da computação em Stanford, destaca que a eficácia variou conforme a qualidade das instruções. Um primeiro teste produziu sucesso em 5% das tentativas; após 30 minutos ajustando o “prompt”, a taxa subiu para 95%.

Limitações e próximos passos

O cofundador Sergey Levine, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, reconhece que o π0.7 ainda não executa longas sequências de ações a partir de um único comando. “Não dá para dizer ‘faça uma torrada’ e esperar que tudo aconteça sozinho”, afirma. Segundo ele, o robô precisa ser guiado etapa por etapa, mas, após a orientação, “funciona bem”.

Sem benchmarks padronizados para o setor, a empresa comparou o novo modelo com sistemas especializados usados internamente. O resultado foi desempenho equivalente em tarefas como fazer café, dobrar roupas e montar caixas.

Reações internas e cenário financeiro

O cientista Ashwin Balakrishna relata surpresa com as capacidades emergentes: “Com base nos dados, eu costumava prever tudo o que o modelo faria. Nos últimos meses, isso mudou”.

Startup Physical Intelligence revela IA capaz de fazer robôs cumprirem tarefas nunca treinadas - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

A Physical Intelligence já captou mais de US$ 1 bilhão e foi avaliada por investidores em US$ 5,6 bilhões. Fontes próximas afirmam que a companhia negocia uma nova rodada que pode quase dobrar o valor de mercado para US$ 11 bilhões. A empresa não comentou o assunto.

Entre os investidores está o cofundador Lachy Groom, ex-anjo de destaque no Vale do Silício (Figma, Notion, Ramp), que aposta na startup como a “grande oportunidade” que buscava. Mesmo sem cronograma de comercialização, o histórico de Groom tem atraído aportes institucionais significativos.

Levine evita prever quando a tecnologia chegará ao mercado, mas observa que o progresso “ocorre mais rápido” do que ele imaginava há alguns anos. Os autores reforçam que os resultados representam pesquisa em estágio inicial, não um produto final.

Com informações de TechCrunch

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email