Carros elétricos, híbridos e híbridos plug-in responderam por 16% das compras de automóveis novos no Brasil entre janeiro e março, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No período, foram emplacadas 95.621 unidades, número 88,6% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.
Mais de 40% desses veículos foram montados no País, principalmente os híbridos. O crescimento é atribuído, em boa parte, à maior presença de montadoras chinesas nos últimos três anos, que oferecem preços competitivos, elevado conteúdo tecnológico e design diferenciado.
Chinesas ganham espaço
Para Rogélio Golfarb, CEO da consultoria ZAG Work e com 45 anos de experiência no setor, a imagem de inovação associada às fabricantes chinesas ganhou força com anúncios de produção local, o que aumentou a confiança do consumidor. “Elas avançam em um mercado estagnado, ocupando espaço de marcas tradicionais”, afirmou.
Atualmente, cerca de 30 marcas da China atuam no Brasil por meio de montagem, importação ou testes de produto. Golfarb projeta que, em 2035, essas empresas responderão por 35% das vendas de automóveis e comerciais leves no País.
Produção local e desafios
Montadoras tradicionais seguem com mais de 40% de participação, sobretudo entre os híbridos flex. Já os 100% elétricos ainda têm presença discreta na fabricação nacional, apesar de iniciativas como a da General Motors, que monta o compacto Spark em Horizonte (CE) e prepara a versão elétrica da Captiva.
Segundo Carolina Godoy, sócia da PwC Brasil, o mercado brasileiro de eletrificados ainda se desenvolve lentamente, influenciado pela disponibilidade de etanol e pela carência de infraestrutura de recarga. Ela observa que a China avança em soluções de carga ultrarrápida, reduzindo o tempo de abastecimento ao patamar do abastecimento convencional.

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Cenário global
Dados globais da PwC indicam que os veículos eletrificados representaram 43,9% das vendas mundiais em 2025, somando 31 milhões de unidades — alta de 18% ante 2024. As vendas de modelos a combustão recuaram 5,19%, para 39,6 milhões. A China liderou, com 14,7 milhões de eletrificados, o equivalente a 54,2% de suas vendas totais.
No Brasil, as vendas de carros a combustão (flex, gasolina e diesel) caíram 1,9% no ano passado, para 2,26 milhões de unidades, de acordo com a Anfavea.
Carolina Godoy pondera que a expansão dos eletrificados no País pode perder fôlego, pois os preços ainda são altos, inclusive entre os modelos chineses, que hoje concentram ofertas no segmento premium. Para atingir volumes maiores, avalia, será necessário trazer opções mais acessíveis.
Com informações de Folha Vitória







