A movimentação de fusões e aquisições em inteligência artificial ganhou um novo capítulo no fim de semana com o rumor de que a Anthropic estaria prestes a comprar a startup de robótica Physical Intelligence. A especulação se espalhou rapidamente nas redes sociais, mesmo após a negação do presidente-executivo da Physical Intelligence, Karol Hausman.
Segundo o site The Information, as duas empresas de fato discutiram uma possível negociação na última primavera do hemisfério Norte. A notícia ganhou força depois de um post do blogueiro de tecnologia Robert Scoble na rede X, que levou usuários a acreditarem em um acordo iminente.
Fundada há cerca de dois anos em São Francisco, a Physical Intelligence chamou atenção desde o início. A empresa nasceu de uma parceria entre o investidor Lachy Groom, ex-pesquisadores do Google e professores de Stanford e Berkeley. A startup já captou mais de US$ 1 bilhão e, na primavera, discutia outra rodada do mesmo valor que poderia elevá-la a uma avaliação de US$ 11 bilhões. Seu modelo π0.5 é apontado como um dos sistemas de controle robótico mais adotados na pesquisa acadêmica.
Em mensagem via Slack, Hausman refutou o boato enviando um gif da série “The Office” em que a personagem balança a cabeça em sinal de discordância, mas não ofereceu detalhes adicionais. Groom não respondeu ao pedido de comentário encaminhado pelo TechCrunch.
Disputa de gigantes
A Anthropic contabiliza quatro aquisições confirmadas neste ano, enquanto a OpenAI já incorporou pelo menos 17 empresas desde 2023. Ambas planejam abrir capital: a Anthropic protocolou o pedido confidencial de IPO em 1.º de junho; a OpenAI fez o mesmo uma semana depois, apontando para estreias que podem figurar entre as maiores já vistas nos Estados Unidos.
O interesse em robótica está ligado à convicção de que a compreensão do mundo físico é essencial para sistemas de IA superinteligentes, algo que não pode ser alcançado apenas com dados textuais. A trajetória da OpenAI ilustra essa visão: após encerrar seu grupo de robótica em 2021, a companhia retomou o projeto silenciosamente em 2024 e oficializou em maio a criação da divisão OpenAI Robotics, com foco inicial em infraestrutura e, a longo prazo, em robôs pessoais.

Imagem: Internet
A Anthropic, por sua vez, não possui laboratório de hardware semelhante, mas realizou estudos internos que avaliam a segurança de modelos de fronteira. Em novembro do ano passado, o Projeto Fetch mostrou como o assistente Claude ajudou não-especialistas a programar um cão-robô; uma segunda fase, em junho, indicou que uma versão mais recente do modelo concluiu as mesmas tarefas cerca de 20 vezes mais rápido que a equipe humana apoiada pelo Claude anterior.
Investidores cruzados
A eventual compra da Physical Intelligence pode esbarrar em um detalhe societário: a OpenAI é acionista da startup. O quadro de investidores inclui ainda Khosla Ventures, Thrive Capital e Founders Fund, todos também ligados à OpenAI. Não se sabe se o aporte original concedeu à OpenAI direitos de informação ou preferência em caso de venda — cláusulas comuns quando grandes investidores estratégicos entram em startups que podem ser disputadas por concorrentes diretos.
Procurada, a OpenAI não comentou o assunto até o fechamento desta edição.
Com informações de TechCrunch










