Em artigo publicado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (IBEF-ES), o gerente de Controles Internos e SOX da ArcelorMittal FCLatam, Pedro Bontempo Cardoso, defende que a falta de trabalhadores para vagas operacionais no Brasil está ligada aos baixos salários pagos na base da pirâmide produtiva, e não aos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.
Comparação internacional
O autor destaca que, nos Estados Unidos, existe uma ampla rede de assistência — incluindo SNAP, Earned Income Tax Credit, Supplemental Security Income, TANF, seguro-desemprego e subsídios habitacionais como o Section 8 — sem evidências de redução da oferta de trabalho. Para Cardoso, o fator decisivo é a remuneração: operários da indústria norte-americana recebem, em média, entre US$ 29 e US$ 30 por hora, resultando em ganhos mensais próximos de US$ 5 mil a US$ 5,5 mil em tempo integral. Supervisores e gerentes ganham entre US$ 80 mil e US$ 100 mil por ano, mantendo uma proporção de duas a três vezes o salário da base.
Realidade brasileira
No Brasil, dados do IBGE e do Ministério do Trabalho mostram salário médio mensal na indústria de transformação entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil. Já cargos gerenciais superam frequentemente R$ 20 mil mensais e podem chegar a R$ 30 mil em empresas de maior porte, segundo informações de RAIS, CAGED e bases salariais privadas como o Glassdoor. Com isso, a diferença entre a remuneração de operários e gestores costuma ultrapassar seis, oito ou até dez vezes.
Efeitos sobre o mercado de trabalho
De acordo com o artigo, a disparidade salarial desestimula a permanência de trabalhadores nas posições de base, aumenta a rotatividade e compromete a eficiência das operações industriais. Para o autor, elevar a remuneração dos níveis operacionais é uma decisão econômica necessária para sustentar a produção, fortalecer o consumo interno e garantir maior estabilidade ao sistema.

Imagem: Rafael Neddermeyer
O texto reflete a opinião do autor e não representa, necessariamente, o posicionamento institucional do IBEF-ES ou da empresa na qual ele atua.
Com informações de Folha Vitória













