Sem Censura recebe ex-jogadoras que abriram caminho para o futebol feminino no Brasil

O programa Sem Censura, exibido pela TV Brasil na noite de sexta-feira (26), reuniu três atletas que marcaram a história do futebol feminino nacional: Marilza Martins da Silva, a “Pelezinha”, Marisa Pires, a “Caju”, e Márcia Matos, a “Russa”. As convidadas relembraram os anos em que enfrentaram o veto à modalidade — imposto em 1941 por decreto do então presidente Getúlio Vargas — e destacaram a regularização do esporte apenas em 1980.

Origem no Esporte Clube Radar

As três jogadoras defenderam o Esporte Clube Radar, equipe fundada em 1932, no bairro de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Sob a direção do empresário Eurico Lyra, o clube passou a investir no futebol feminino em 1981 e acabou servindo de base para a seleção brasileira nos anos 1980.

Eurico foi o responsável pelo apelido “Pelezinha”. Segundo o dirigente, a atacante demonstrava “leveza” e “flutuava” na areia durante os treinos em Copacabana.

Primeiras convocações e Mundiais

Em 1988, Lyra anunciou às atletas que elas representariam o Brasil em um torneio na China. Receber a camisa oficial — estampa da CBF ao lado do escudo do Radar — foi lembrado como momento de grande emoção por Pelezinha, que não imaginava disputar uma competição mundial.

Caju, capitã da seleção no primeiro Campeonato Mundial Feminino, respondeu a perguntas de telespectadores sobre a presença de público nos estádios. Ela garantiu que, desde o Sul-Americano de 1995, em Uberlândia (MG), as arquibancadas já ficavam cheias, contrariando a ideia de que os jogos eram vazios.

A ex-capitã destacou ainda que, nos anos 1990, as jogadoras não recebiam salários fixos — apenas o chamado “bicho”. “Nossa persistência, paixão e amor pelo esporte colocaram o futebol feminino no patamar em que está hoje”, afirmou.

Reconhecimento financeiro

Durante o programa, um espectador citou a lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que garante R$ 500 mil a cada atleta que defendeu a seleção feminina entre 1988 e 1991. Caju comemorou: “Foram 38 anos de espera. Veio tarde, mas veio bem”. O benefício também alcança familiares de jogadoras já falecidas.

Russa aproveitou para agradecer à ex-atacante Marileia dos Santos, a “Michael Jackson”, hoje no Ministério do Esporte. Segundo ela, a ex-companheira trabalhou por oito anos, “em silêncio”, para assegurar a aprovação da indenização.

Pelezinha concluiu relatando que, aos 62 anos, começa a realizar “metade dos planos” que sonhou enquanto jogava. Já Caju, aos 59, disse que a conquista permitirá “viver e descansar um pouquinho”, dedicando a vitória a toda a geração de pioneiras.

Com informações de Agência Brasil

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email