Conselheiro da Casa Branca acusa Moonshot de copiar modelo da Anthropic e usar chips proibidos no Kimi K3

Washington (23.jul.2026) – O conselheiro científico da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que a chinesa Moonshot teria reproduzido o modelo Fable, da Anthropic, para desenvolver o Kimi K3 – atualmente o maior LLM (modelo de linguagem) de código aberto – utilizando ainda processadores que não têm autorização para exportação à China.

Acusações de “destilação industrial”

Em publicação nas redes sociais, Kratsios classificou como “inaceitável” o que chamou de “destilação industrial em larga escala e encoberta” destinada a “roubar tecnologia proprietária dos EUA e minar a pesquisa americana”. A declaração ocorre em meio a discussões, dentro do governo norte-americano, sobre um possível bloqueio a modelos chineses de peso aberto – debate que tem agitado o setor de IA.

Kratsios não apresentou detalhes ou provas das alegações, e a Moonshot não respondeu aos pedidos de comentário sobre seu processo de treinamento.

“Marcas d’água” em modelos chineses

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, endossou a preocupação, dizendo que foram encontrados “marcas d’água” de modelos americanos em diversas IAs chinesas. O Tesouro, porém, não esclareceu que indícios seriam esses.

Ceticismo entre especialistas

Pesquisadores ouvidos pelo TechCrunch duvidam de que a simples destilação – técnica que consiste em interrogar um LLM para replicar suas habilidades em outro sistema – explique o desempenho do Kimi K3.

“Não se obtém um modelo tão forte, tão rápido, apenas com destilação”, afirmou Braden Hancock, pesquisador do Laude Institute e cofundador da Snorkel AI. “O Fable só ficou público em 1º de julho; não há tempo hábil para extrair tantos dados, treinar e lançar um modelo em duas semanas.”

Nathan Lambert, do Allen Institute for AI, acrescentou, em podcast divulgado ontem, que os ganhos do ajuste supervisionado (SFT) diminuem à medida que os sistemas se aproximam da fronteira tecnológica. “Se fosse tão simples, qualquer um alcançaria um GLM ou o K3 apenas destilando dados. Isso não aconteceu.”

Destilação, SFT e reforço

O processo de destilação passa por consultar sistematicamente o modelo-alvo, gerando respostas que servem de insumo para um novo treinamento. Muitas vezes, pede-se ao sistema que revele seu raciocínio interno (chain of thought). Na etapa de SFT, a nova IA “aprende boas maneiras”, segundo Lambert. Porém, para replicar recursos de ponta, seria necessário recorrer a aprendizado por reforço, em que milhões de agentes avaliam respostas e ajustam pesos – operação cara e demorada.

Prática disseminada no setor

A Anthropic já acusou Moonshot, DeepSeek e MiniMax de realizar destilação de seus modelos, citando milhões de interações detectadas por endereços IP e metadados incomuns. Entretanto, a prática não se limita à China: Elon Musk declarou, este ano, que a SpaceX AI usou destilação de modelos da OpenAI para criar o Grok.

Conselheiro da Casa Branca acusa Moonshot de copiar modelo da Anthropic e usar chips proibidos no Kimi K3 - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

“Os americanos subestimam a capacidade técnica dessas equipes chinesas”, disse Hancock. “Se os modelos dos EUA parassem hoje, a China desaceleraria, mas continuaria avançando.”

Uso de chips vetados

Além da suposta cópia, Kratsios acusou a Moonshot de empregar GPUs Nvidia Grace Blackwell 300 (GB300) – cuja exportação à China é proibida. Segundo Sam Bresnick, pesquisador do Centro de Segurança e Tecnologia Emergente da Universidade de Georgetown, existe mercado paralelo para esses componentes. Em maio, o fundador da fabricante de servidores Supermicro foi indiciado por contrabando de chips avançados para o território chinês.

Debate sobre regras de “conheça seu cliente”

Bresnick defende normas globais de identificação de usuários de centros de dados. “Se você permite que uma empresa faça grandes treinamentos em hardware de ponta, precisa haver mecanismo de reporte sobre quem é essa empresa e o que está fazendo”, afirmou.

O Departamento de Comércio dos EUA propôs, em 2024, regras federais de know-your-customer para data centers, mas não houve avanço significativo até o momento. Exportadores de chips, porém, continuam obrigados a garantir que os componentes sejam usados apenas para fins aprovados.

Até agora, não há confirmação pública de violação, nem resposta oficial da Moonshot sobre as acusações.

Com informações de TechCrunch

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