Profissões vinculadas ao sistema de Justiça e a carreiras de Estado reúnem os maiores rendimentos e patrimônios entre os declarantes do Imposto de Renda no Espírito Santo. A conclusão é de um estudo do Observatório de Empresas do Espírito Santo, coordenado pelo especialista em políticas públicas Daniel Gonçalves Galvêas, que analisou 803.853 declarações referentes ao exercício de 2026.
Quem ganha mais
Entre 132 categorias profissionais, quatro ligadas diretamente ao poder público encabeçam o ranking de patrimônio médio:
1º Titulares de cartório – R$ 5,89 milhões
2º Membros do Ministério Público – R$ 2,91 milhões
3º Magistrados e conselheiros de Tribunais de Contas – R$ 2,57 milhões
4º Advogados públicos (procuradores e defensores) – R$ 1,45 milhão
A primeira ocupação exclusivamente da iniciativa privada surge apenas na quinta posição.
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Renda anual
O mesmo padrão aparece nos ganhos anuais. Das seis ocupações mais bem pagas, quatro pertencem às carreiras jurídicas e de fiscalização. Juntas, essas profissões somam 7.971 declarantes (1,18% do total) com renda média de R$ 455,4 mil e patrimônio médio de R$ 981 mil – valores 2,9 vezes acima da média estadual. Quando os titulares de cartório entram no cálculo, a renda média sobe para R$ 495,7 mil.
Empresários são maioria entre os que ganham alto
Apesar de não liderarem os rendimentos, dirigentes, presidentes e diretores de empresas formam o grupo mais numeroso dentro da faixa de alta renda: 48.145 declarantes. A renda média nesse segmento é de R$ 395,3 mil, abaixo da verificada nas carreiras jurídicas, mas o patrimônio médio alcança R$ 1,29 milhão.
Tributação menor para quem ganha mais
O levantamento aponta correlação negativa entre renda média e a parcela sujeita ao Imposto de Renda. Entre dirigentes de empresas, apenas 13,3% dos ganhos (R$ 52,5 mil) entram na base de cálculo. Já professores do ensino fundamental, com renda média de R$ 92,3 mil, têm 81,6% (R$ 75,3 mil) tributáveis. A diferença é explicada, segundo Galvêas, pela isenção de lucros e dividendos prevista na Lei nº 9.249/1995 e pela prática de profissionais liberais receberem por meio de pessoas jurídicas.

Imagem: Joéds Alves
Concentração nas grandes cidades
Vila Velha (17%), Vitória (15,2%) e Serra (14,7%) concentram 46,9% dos declarantes capixabas. A capital lidera indicadores econômicos, com renda média anual de R$ 287,7 mil e patrimônio médio de R$ 801,3 mil. No outro extremo, Viana registra renda média de R$ 76,6 mil e patrimônio de R$ 65,5 mil.
Desigualdades dentro do serviço público
Entre servidores estaduais, a distância é expressiva: policiais militares têm renda média 7,1 vezes menor e patrimônio 22,6 vezes inferior ao de magistrados. Mesmo diante da média geral do funcionalismo, a diferença patrimonial entre policiais e demais servidores permanece 7,5 vezes menor.
Participação feminina
As disparidades também aparecem por gênero. Operadores de máquinas e veículos de carga contam com apenas 2,2% de mulheres, e motoristas de transporte de passageiros, 3,3%. Em contrapartida, professoras da educação infantil representam 96,3% das declarações nessa categoria, enquanto assistentes sociais somam 95%.
O estudo utiliza dados públicos do painel “Perfil do Declarante IRPF”, da Receita Federal. Para preservar o sigilo estatístico, combinações de município e profissão com menos de dez declarações foram omitidas, resultando em subcontagem estimada de 1,5%.
Com informações de Folha Vitória













