Aracruz desponta como principal candidata no Espírito Santo a adotar o conceito chinês de “cidade-piloto de facilitação de comércio”, estratégia que reúne governo, setor privado e instituições financeiras para testar, em escala limitada, soluções que simplificam exportações e importações.
Como funciona o modelo chinês
O programa, criado pelo governo da China, seleciona municípios para experimentar novas rotinas aduaneiras, integração de sistemas, redução de documentos e uso intensivo de tecnologia. Entre abril e setembro de 2025, 25 cidades chinesas testaram 29 medidas; 25 foram aprovadas e ampliadas para todo o país. Desde 2018, 144 ações foram avaliadas e 110 viraram política nacional.
Os resultados sustentam a expansão. Em 2025, o comércio exterior chinês alcançou 45,47 trilhões de yuans (R$ 34,58 trilhões), alta de 3,8%. Exportações de itens de alta tecnologia somaram 5,25 trilhões de yuans (R$ 3,99 trilhões), incremento de 13,2%.
Números por cidade na China
Guangzhou registrou 1,2 trilhão de yuans (R$ 912,67 bilhões) em transações externas, crescimento de 10,4%. O comércio eletrônico transfronteiriço superou 200 bilhões de yuans (R$ 152,11 bilhões), avanço de 19,2%.
Ningbo aplicou inteligência artificial na alfândega, elevando em 30% a eficiência de liberação, reduzindo leitura de imagens para 12 s, inspeções para até 4 min e encurtando em mais de 15 h os trâmites de minério de ferro e concentrado de cobre.
Pequim adotou lista branca para pescados frescos, fiscalizando 7,4 bilhões de yuans (R$ 5,63 bilhões) e 10.787,9 t de produtos, altas de 104,6% e 155,3%. Mais de 3.200 empresas AEO tiveram acesso facilitado a crédito, garantia e seguro, cortando 20,961 milhões de yuans (R$ 15,94 milhões) em encargos.
Aracruz reúne requisitos essenciais
No Espírito Santo, Aracruz conta com Portocel, terminal da Imetame, estaleiro, áreas industriais, movimentação de celulose, veículos importados e a futura fábrica da GWM. A cidade também possui o Parklog e conexão direta com a nova fronteira produtiva estadual, formando o ambiente completo para testes de facilitação aduaneira.

Imagem: Divulgação
Papel de outras cidades capixabas
O plano sugerido distribui responsabilidades:
- Vitória: hub de governança e serviços aduaneiros;
- Vila Velha: fluxo urbano-portuário, armazenagem e distribuição;
- Serra: indústria, centros de distribuição, e-commerce e logística rodoviária.
Iniciativas já em curso
Duas ferramentas reforçam a proposta. O Recomex articula estudo e planejamento para o comércio exterior diante da reforma tributária. Já o e-Trânsito, plataforma criada no Estado em parceria com a Receita Federal e o Ifes, digitaliza e monitora o trânsito aduaneiro com rastreamento e gestão de risco.
Com a adoção do modelo de cidade-piloto, autoridades e empresas capixabas pretendem medir, na prática, quanto tempo e custo podem ser economizados na liberação de cargas, usando dados em tempo real, integração de sistemas e tratamento diferenciado para empresas de baixo risco.
A experiência capixaba, caso implantada, pode servir de referência nacional para facilitar exportações, aumentar a competitividade dos portos e atrair novos investimentos.
Com informações de Folha Vitória












