Mach Industries recebe US$ 300 milhões e aposta em seis programas de armas simultâneos

LOS ANGELES (EUA) — A Mach Industries, fundada pelo ex-aluno do MIT Ethan Thornton, concluiu neste mês uma rodada Série C de US$ 300 milhões que avaliou a empresa em US$ 1,8 bilhão, elevando o total captado para cerca de US$ 485 milhões.

Thornton, que abandonou o Massachusetts Institute of Technology aos 19 anos para se dedicar ao desenvolvimento de armamentos, afirmou durante o evento StrictlyVC, em Los Angeles, que a companhia conduz atualmente seis programas de defesa ao mesmo tempo. Segundo ele, a estratégia diversificada é necessária diante da “partida de xadrez” tecnológica com potenciais adversários.

Seis frentes de desenvolvimento

Os projetos em andamento incluem:

  • aeronave de ataque com decolagem vertical;
  • míssil antinavio de longo alcance;
  • dois sistemas estratosféricos;
  • interceptor superfície-ar de baixo custo para abater drones;
  • aeronave naval logística e de ataque, com 12 metros de comprimento, cerca de 1,8 tonelada, decolagem quase vertical e autonomia superior a 1.600 km transportando 450 kg de carga.

Nenhum dos seis programas entrou em produção plena. A empresa já venceu aproximadamente 13 contratos governamentais, todos em fase intermediária de aquisição — além do desenho inicial, porém antes da fabricação em escala. Thornton pretende ver vários sistemas em operação até o fim deste ano e levar três deles a ritmo de centenas de milhares de unidades mensais, meta que depende da implantação de uma nova fábrica.

Expansão da base industrial

Para reduzir gargalos na cadeia de suprimentos, a Mach fabricou e testou dois motores a jato em oito meses — processo que, segundo o fundador, costuma levar quatro anos — e adquiriu, em maio, a fabricante de motores-foguete sólidos Exquadrum por US$ 50 milhões. Componentes como motores, radares e propulsores já representam cerca de metade da receita da empresa.

Cenário competitivo

A estratégia da Mach difere da de concorrentes como Shield AI, focada durante anos em um único drone, e da Saronic, dedicada apenas a embarcações autônomas de superfície. Mesmo assim, ambas alcançaram aportes bilionários: a Shield AI levantou US$ 2 bilhões neste ano, avaliada em US$ 12,7 bilhões; a Saronic captou US$ 1,75 bilhão, valendo US$ 9,25 bilhões.

O modelo mais próximo é o da Anduril, que em maio arrecadou US$ 5 bilhões a uma avaliação de US$ 61 bilhões e tem contrato de até US$ 20 bilhões com o Exército dos EUA. Thornton, porém, destaca que a Anduril começa pelo software, enquanto a Mach parte do hardware e depois incorpora camadas digitais.

Cultura interna

Thornton relata que dedica quatro a cinco horas diárias a planejar cenários futuros e promove fóruns abertos em que funcionários podem questioná-lo diretamente. De acordo com o executivo, as críticas mais valiosas vêm “de quem executa o trabalho”, e não de investidores ou da equipe executiva.

Nascido em Burnet, cidade texana de 6.500 habitantes e família com tradição militar, Thornton se interessou por defesa em 2017-2018, ainda na adolescência, ao avaliar o avanço chinês em tecnologias bélicas. Seu primeiro protótipo — um sistema movido a hidrogênio montado com peças compradas em lojas de ferragens — fracassou, mas serviu, diz ele, para mostrar que “o combustível era a aposta errada”. Hoje, a convicção do fundador é de que os Estados Unidos não vencerão pela quantidade de produção, e sim pela rapidez na criação de novos produtos.

Com informações de TechCrunch

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