Mais de um terço das companhias que cedem às exigências financeiras de criminosos digitais sofrem uma segunda tentativa de extorsão. A constatação faz parte de um relatório divulgado nesta quarta-feira (22) pela empresa de segurança cibernética Proofpoint, após a análise de 953 organizações.
Segundo o levantamento, os ataques de ransomware deixaram de ser transações pontuais — em que o grupo invasor recebe o pagamento e encerra o ataque — para se tornarem campanhas prolongadas, baseadas em diversas formas de pressão. Entre as estratégias mais comuns estão a retenção de dados roubados e a ameaça de divulgação pública dessas informações.
Historicamente, criminosos prometem destruir os arquivos após o pagamento, mas episódios recentes mostram que isso dificilmente ocorre. No mês passado, um ataque à empresa de inteligência de mercado Klue expôs dados de clientes, inclusive de companhias do setor de cibersegurança. A Klue chegou a anunciar um acordo com os invasores, que alegaram ter excluído o material. Contudo, outro grupo hacker afirmou ter acesso a parte dos mesmos dados, ampliando o risco de novas extorsões.
Em 2024, a Change Healthcare viveu situação semelhante. Um grupo de língua russa roubou informações médicas de cerca de 192 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Durante uma disputa interna entre o grupo principal e seus afiliados — prática comum nesse tipo de crime —, a empresa acabou pagando resgates separados a cada facção para impedir a divulgação dos registros.
A suspeita de que os dados permanecem sob controle dos criminosos, mesmo após o pagamento, foi confirmada pelas autoridades britânicas durante a operação que desmontou a rede de ransomware LockBit, também em 2024. Investigadores encontraram informações de vítimas armazenadas nos servidores do grupo muito tempo depois de os resgates terem sido quitados.

Imagem: Getty
Para especialistas, o cenário reforça a dificuldade de negociar “de boa-fé” com organizações criminosas, já que não há garantia de que os invasores cumprirão qualquer promessa feita após receberem o dinheiro.
Com informações de TechCrunch









