Christopher Nolan classifica inteligência artificial como “cavalo de Troia transparente”

LOS ANGELES, 19 de julho de 2026 – O diretor vencedor do Oscar Christopher Nolan, cujo longa “The Odyssey” lidera as bilheterias, afirmou ver uma forte e saudável desconfiança pública em relação à inteligência artificial (IA), principalmente entre os mais jovens.

Nolan comentou o assunto durante entrevista ao jornalista francês Hugo Travers, conhecido no YouTube como HugoDécrypte. O repórter comparou a IA ao lendário cavalo de Troia – elemento central do novo filme – questionando se a tecnologia poderia ser um “presente” que acabaria revelando algo sombrio.

“A IA é um cavalo de Troia em que todos já sabem que os gregos estão dentro”, respondeu o cineasta, rindo. Ele disse ainda que, no caso da IA, o cavalo seria “transparente, feito de vidro”.

Segundo Nolan, nunca houve uma tecnologia que avançasse tão rápido e, ao mesmo tempo, encontrasse rejeição tão ampla: “A suspeita é extrema, especialmente entre os jovens. Eles veem vídeos gerados por IA online, chamam de ‘AI slop’ e já colocam isso numa caixa”.

Para o diretor, essa postura crítica é necessária: “A tecnologia sempre traz grandes dádivas, mas precisa ser encarada com ceticismo. O mesmo vale para as motivações de quem a oferece”.

Ainda que não tenha detalhado quais ameaças enxerga na IA, Nolan lembrou que o tema ganhou destaque em Hollywood, sobretudo nas greves de roteiristas e atores de 2023. O Sindicato dos Diretores dos EUA (Directors Guild of America), presidido por ele, conquistou recentemente cláusulas de proteção contra o uso de IA generativa em contratos.

Christopher Nolan classifica inteligência artificial como “cavalo de Troia transparente” - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

Nolan já se mostrou reticente a outras inovações, como smartphones, e mantém preferência pela película. “The Odyssey” tornou-se o primeiro longa-metragem filmado inteiramente com câmeras e filmes IMAX.

Questionado pelo The New York Times se seria tecnofóbico, o diretor disse ver-se como “tecno-cético”. Ele declarou que adota novas ferramentas quando elas realmente acrescentam, mas se preocupa quando a indústria descarta sistemas ainda viáveis, lembrando que quase se perdeu a filmagem em película.

Em paralelo, o CEO da SpaceX, Elon Musk, tem criticado nas redes sociais o elenco diverso de “The Odyssey”, que inclui atores não brancos e pessoas transgênero.

Com informações de TechCrunch

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