A startup norte-americana General Intuition anunciou nesta quinta-feira (25) a captação de US$ 320 milhões em uma rodada que avaliou a empresa em US$ 2,3 bilhões. O aporte eleva o volume total divulgado de recursos para US$ 454 milhões, somando-se aos US$ 134 milhões obtidos no lançamento da companhia, em outubro do ano passado.
Videogames como laboratório de IA
Fundada em Nova York, a General Intuition aposta em horas de partidas de jogos eletrônicos para treinar modelos capazes de operar tanto em ambientes virtuais quanto no mundo físico. O dataset original veio da Medal, plataforma que permite a usuários publicar clipes de gameplay. De lá, surgiram centenas de milhões de horas de vídeos acompanhados de registros precisos dos comandos acionados pelos jogadores — informação que a companhia considera diferencial frente a concorrentes que analisam apenas a imagem.
Segundo o cofundador e presidente-executivo Pim de Witte, 31 anos, o mesmo modelo que joga cenários semelhantes a “Fortnite” também controla um robô quadrúpede no escritório da empresa. De acordo com o diretor de produto, Kent Rollins, foram necessários apenas oito minutos de dados coletados nas ruas para ajustar o sistema ao robô, que agora circula autonomamente pelo local.
Quem investiu
A rodada foi liderada pela Khosla Ventures e contou com participações de General Catalyst, Jeff Bezos, Eric Schmidt, Nico Rosberg e pesquisadores do Google DeepMind e do MIT. A maior parte dos recursos será destinada à expansão da capacidade de computação em parceria com a CoreWeave. Uma parte menor financiará a ampliação da API da companhia, prevista para ser disponibilizada a mais clientes até o fim do verão no Hemisfério Norte.
Modelo de negócios e ética
Nascida de dentro da Medal, a General Intuition é conduzida por De Witte ao lado dos cofundadores Eloi Alonso, Adam Jelley e Vincent Micheli. A empresa pretende atuar como fornecedora de um modelo de IA geral que terceiros poderão usar em robótica, simulação, games e outros setores. Entre os clientes atuais, estão estúdios de jogos e companhias de automação.

Imagem: Internet
De Witte, que trabalhou com organizações humanitárias como Médicos Sem Fronteiras, impôs restrições ao uso militar letal da tecnologia. Missões de busca e resgate, no entanto, são aceitas.
Próximos passos
A startup também lançou a plataforma Nerve, um marketplace que permite a gamers ganhar dinheiro com rotulagem de dados e telexperação de robôs. De Witte afirma que a meta é criar um “flywheel” de dados, priorizando parcerias que ofereçam novos cenários e dispositivos para treinar e validar o modelo — de drones a ambientes industriais simulados.
Com informações de TechCrunch













