Todo dia 11 de agosto, a advocacia é convidada a refletir sobre sua trajetória e o impacto na sociedade. Neste ano, a data também nos leva a considerar o futuro. A inteligência artificial já desempenha funções como redigir, resumir e organizar dados, alterando a dinâmica de escritórios, tribunais e relacionamentos com os clientes.
Entretanto, a tecnologia também abre espaço para novas fraudes que afetam a confiança, um dos pilares da relação entre advogado e cliente. O ‘golpe do falso advogado’ exemplifica essa realidade, onde criminosos se fazem passar por profissionais respeitáveis, utilizando nomes, imagens e até mesmo a voz de advogados reais para induzir vítimas a transferências financeiras.
Em resposta a essa situação, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem implementado campanhas educativas e ferramentas para verificação da identidade de advogados.
A discussão sobre o uso ético da tecnologia na advocacia já está em andamento, considerando seus limites e potencialidades. O Judiciário também está adotando diretrizes que visam aumentar a transparência, proteger direitos fundamentais e garantir a supervisão humana. A mensagem é clara: inovar não implica abdicar da responsabilidade humana.
O Direito transcende códigos e processos; ele se concretiza quando uma pessoa chega a um escritório carregando medo, dúvidas ou esperanças e encontra um profissional disposto a ouvir. Embora as ferramentas tecnológicas possam localizar decisões em segundos e sugerir argumentos, elas não conseguem captar a carga emocional que acompanha a luta por justiça.
A escuta ativa, o discernimento e a responsabilidade continuam sendo atributos do advogado. A prática da advocacia envolve a gestão de conflitos humanos, sem reduzir as pessoas a meros números de processos. O enfraquecimento das prerrogativas do advogado não impacta apenas a profissão, mas também compromete os direitos do cidadão à defesa.
A Constituição reconhece a indispensabilidade do advogado na administração da Justiça, não como um privilégio, mas como um pilar da democracia. Muitas vezes, é o advogado quem transforma indignação em argumentos, vulnerabilidade em defesa e direitos abstratos em realidades concretas de Justiça.
Nenhuma jornada é trilhada isoladamente; ao longo da carreira, colegas, referências e gestos de apoio ajudam a moldar o caminho. Quando um advogado é respeitado, toda a classe se fortalece, e o avanço coletivo beneficia cada profissional.
O futuro inevitavelmente trará mais inteligência artificial e automação. No entanto, o que não pode ser reduzido é a humanidade. É crucial que continuemos a avançar sem abrir mão do que nenhuma tecnologia consegue reproduzir totalmente: a presença, a consciência, a escuta, a sensibilidade, as parcerias e o compromisso.
Neste 11 de agosto, celebramos uma profissão que vai além da interpretação de leis; ela visa proteger indivíduos, preservar liberdades e sustentar a democracia. E talvez essa seja uma das formas mais significativas de praticar a advocacia: continuar a construir trilhas enquanto valorizamos aqueles que caminham ao nosso lado.










