Aumento da Popularidade do Café Conilon nas Cafeterias do Espírito Santo

O café conilon, que por muito tempo foi considerado apenas um ingrediente para misturas, está conquistando espaço nas cafeterias do Espírito Santo, especialmente em Vitória. Embora o movimento ainda seja sutil, a demanda por esse tipo de café especial se mostra crescente, com produtores e estabelecimentos cada vez mais conectados.

Kissia Dal’Orto, produtora rural e mestre de torra da Fazenda Flor de Lis, em Linhares, relata que a aceitação do conilon em cafeterias tem sido bastante positiva. “Estou entregando em cafeterias em Linhares e Vitória”, afirma. Ela é uma das fundadoras da Pro-Conilon, uma associação que reúne diversos produtores de conilon especial na região, e destaca a importância de conectar os agricultores ao mercado. “Esse trabalho de conectar os produtores a esses locais já está sendo recorrente. Muita demanda”, complementa.

Uma das primeiras cafeterias a adotar o conilon especial foi o Quinto Aroma, em Vitória. Wagner Carmo, sócio do local, explica que a inclusão do conilon no cardápio foi uma escolha deliberada. “Nós queríamos que as pessoas tivessem a experiência de conhecer cafés. E eu falei: não abro mão de termos o conilon aqui, seja para tomá-lo, seja para fazer blends, seja para vendê-lo”, diz.

A jornada de Wagner com o conilon teve início em 2019, em uma cafeteria em Colatina, onde ele superou preconceitos comuns sobre a qualidade do conilon. “A proprietária me ofereceu um conilon e disse: tome esse e você vai se surpreender. E eu me surpreendi”, recorda. Hoje, o conilon é uma opção tanto para consumo quanto para venda no Quinto Aroma, com a meta de ter várias marcas disponíveis.

A busca de Wagner por cafés conilon no mercado revela uma transformação no cultivo capixaba. “Do plantio à torra, encontrei um profissionalismo sem precedentes. Um grupo de produtores empenhados em produzir um café aromático, um café especial”, destaca. Para ele, a diferença entre conilon e arábica não é mais uma questão de qualidade, mas de perfil sensorial. “O café conilon especial hoje não perde em absolutamente nada para o arábica. O que muda é apenas o gosto de quem consome”, conclui.

O Espírito Santo lidera a produção de conilon no Brasil, com mais de 49 mil propriedades e respondendo por 67% da produção nacional. Durante décadas, a maior parte dessa produção foi comercializada como commodity. No entanto, o que se observa agora em cafeterias como o Quinto Aroma é a chegada do conilon ao consumidor final com identidade, origem e uma torra cuidadosamente elaborada, seguindo o mesmo caminho que o arábica percorreu para se tornar um café especial.

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