Ainda há um longo caminho a percorrer para que os capixabas possam sair de casa e retornar com segurança. Apesar da queda nos índices de homicídios nos últimos anos, a sensação de insegurança permanece, especialmente em áreas onde facções criminosas disputam o controle do tráfico de drogas.
Em resposta a essa realidade, o combate ao tráfico e ao crime organizado foi eleito como prioridade pelos leitores do Folha Vitória para a nova gestão do governo estadual.
A reportagem buscou ouvir representantes das forças de segurança, especialistas e autoridades para discutir os principais obstáculos no enfrentamento às organizações criminosas, os avanços recentes e as estratégias necessárias para desmantelar o poder das facções no Espírito Santo.
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Dados do Observatório da Segurança Pública indicam que, de janeiro a julho deste ano, o Estado registrou 406 homicídios, dos quais 181 (44,6%) estão relacionados ao tráfico de drogas.
Os conflitos entre gangues resultam não apenas em mortes, mas também em pânico entre comerciantes e afetando os serviços públicos, gerando um ambiente de medo nas comunidades. O caso de Cauã Souza Guimarães, um jovem mecânico de 18 anos, exemplifica essa triste realidade.
Os planos de Cauã, que sonhava em montar sua oficina e cuidar da filha que estava por vir, foram tragicamente interrompidos quando ele e um amigo foram alvos de um ataque em Vitória, em novembro de 2025. Embora tenha se afastado do tráfico ao descobrir que seria pai, ele acabou sendo vítima da violência associada ao crime organizado.
O inquérito sobre o caso foi concluído, e dois suspeitos foram identificados, sendo que um deles está foragido. O Ministério Público do Espírito Santo apresentou acusações por homicídio qualificado e associação criminosa.
Segundo o professor Henrique Herkenhoff, do mestrado em Segurança Pública da Universidade de Vila Velha, as políticas de combate ao tráfico têm, em muitos casos, gerado efeitos contrários aos desejados, tornando as drogas mais acessíveis.
O juiz Carlos Eduardo Ribeiro Lemos alerta para a ausência de uma política nacional permanente de combate ao crime organizado, enfatizando que a segurança pública deve ser uma prioridade constante e não apenas um tema de campanha eleitoral.
Ele destaca que as facções buscam expandir seus territórios e, quando dominam uma área, acabam assumindo funções que deveriam ser do Estado, impondo regras e cobrando taxas dos moradores.
O secretário estadual de Segurança Pública, Leonardo Damasceno, ressalta que a disputa pelo controle do tráfico é uma de suas principais preocupações, com o objetivo de evitar que grupos criminosos dominem qualquer parte do território capixaba.
Além disso, o governo tem implementado operações para desarticular grupos que tentam ampliar suas fontes de renda, como o fornecimento clandestino de internet.
A redução dos homicídios no Espírito Santo, que alcançou a marca de 798 assassinatos em 2025, não necessariamente reflete a fragilidade das facções. Em vez disso, pode indicar uma estabilização que permite aos grupos criminosos operar com maior eficiência e lucro.
No combate ao tráfico, as autoridades apreenderam 2.838 quilos de drogas apenas no primeiro semestre de 2026 e continuam a investir em tecnologia e inteligência para enfrentar o crime organizado. No entanto, especialistas ressaltam que o desafio vai além da prisão de criminosos e envolve a necessidade de impedir que as facções continuem a operar de dentro dos presídios e reduzir seu poder financeiro.









