Uma pesquisa recente divulgada pela Rede A Ponte revelou que 60% das vereadoras brancas e 80% das vereadoras negras já sofreram violência política. O levantamento, que entrevistou mais de 70 parlamentares, destaca que a Câmara Municipal é o principal local onde essas agressões ocorrem, totalizando 77% dos casos registrados.
O relatório, intitulado Raio X da Violência Política de Gênero e Raça no Legislativo Municipal, aponta que, apesar da promulgação da Lei 14.192/2021, que visa proteger os direitos políticos das mulheres, a violência persiste, sendo perpetrada em sua maioria por homens brancos cisgêneros, responsáveis por 80% dos casos de agressão.
O estudo também revelou que 89% das vereadoras vítimas de violência política enfrentaram agressões psicológicas, como interrupções de fala e humilhações. Além disso, 82% relataram violência simbólica, que inclui a exclusão de espaços de decisão. Outros tipos de violência identificados incluem violência moral, ataques à identidade e assédio sexual.
A diretora-executiva da Rede A Ponte, Amanda de Albuquerque, afirmou que as mulheres são frequentemente abandonadas por seus partidos ao ingressarem na política. O documento comprova que a resposta do Estado à violência de gênero e raça é insuficiente, com apenas 12 dos 44 casos registrados resultando em denúncias formais.
A gestora de Mobilização e Articulação Política da Rede A Ponte, Lauana Chantal, ressaltou que a violência política de gênero e raça é um dos maiores obstáculos à democracia no Brasil, afetando especialmente as mulheres negras. Ela enfatizou a importância da mídia na cobertura desse problema, que pode ajudar a aumentar a conscientização e a pressão por mudanças.
As vereadoras também relataram a dificuldade de serem reconhecidas em suas funções e os constantes ataques que sofrem nas redes sociais, o que afeta sua saúde mental. Apesar de se sentirem orgulhosas de suas conquistas, muitas expressaram preocupação com a naturalização da violência no ambiente político.
Por fim, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, em 2024, apenas 18,2% das cadeiras nas câmaras municipais foram ocupadas por mulheres, e 734 municípios não elegeram nenhuma mulher. A situação é ainda mais crítica para as mulheres negras e indígenas, que estão sub-representadas nas esferas legislativas.










