Jogadores argentinos exibem faixa sobre Malvinas e reacendem disputa com o Reino Unido

A comemoração da vitória da Argentina sobre a Inglaterra por 2 a 1, na semifinal da Copa do Mundo, resultou em novo capítulo da histórica disputa pelas Ilhas Malvinas. Na noite de quarta-feira (15), atletas da seleção ergueram uma faixa improvisada com a frase “As Malvinas são argentinas”.

Pelas regras da Federação Internacional de Futebol (Fifa), manifestações políticas em campo podem gerar sanções. O Comitê Disciplinar Independente da entidade já analisa os relatórios da partida para definir se haverá punição. Em 2014, a Associação do Futebol Argentino (AFA) foi multada em US$ 33 mil por gesto semelhante antes de um amistoso contra a Eslovênia.

Fora dos gramados, porém, o ato reavivou o debate sobre a soberania do arquipélago administrado pelo Reino Unido e reivindicado pela Argentina. No domingo (19), a equipe sul–americana tentará o quarto título mundial diante da Espanha, enquanto a questão territorial volta ao centro das atenções internacionais.

Reações na Argentina

A diplomata e ex-embaixadora em Londres, Alicia Castro, avaliou o gesto como “feito compartilhado por todo o povo argentino”. Para ela, a demonstração de apoio à reivindicação nacional se soma a outros episódios, como o do técnico egípcio Hossam Hassan, que levantou bandeira da Palestina sem sofrer sanções da Fifa.

Torcedores e clubes argentinos costumam entoar cantos alusivos às Malvinas, lembra o cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium Consultoria. Segundo ele, a causa une o país “acima de qualquer divergência ideológica”.

O ex-secretário das Malvinas do governo Alberto Fernández, embaixador Guillermo Carmona, classificou a exibição da faixa como ato de “soft power” capaz de pressionar Londres a retomar negociações. Em entrevista, disse que o Reino Unido mantém “gestão anacrônica” sobre as ilhas.

O presidente Javier Milei também saiu em defesa dos atletas. À Rádio El Observador, afirmou compreender o sentimento dos jogadores e prometeu insistir na recuperação do território “apenas por vias diplomáticas”.

Incômodo britânico

No jornal britânico The Guardian, o colunista Simon Jenkins sugeriu que Londres reabra o diálogo com Buenos Aires. Ele questionou o custo de mais de 60 milhões de libras por ano aos contribuintes para manter o domínio sobre o arquipélago.

Conflito histórico

As Ilhas Malvinas – ou Falklands, para os britânicos – ficam a cerca de 500 quilômetros da costa argentina. A disputa remonta ao século XIX e culminou na guerra de 74 dias, em 1982, que deixou centenas de mortos, a maioria soldados argentinos. Desde então, o tema reaparece em eventos esportivos e políticos.

Em junho de 2026, o Comitê de Descolonização da ONU reiterou a necessidade de solução pacífica e negociada para o impasse. Buenos Aires rejeita a soberania britânica, que trata o território como ultramarino estratégico e potencialmente rico em petróleo.

A Fifa informou que só se pronunciará após a conclusão da análise disciplinar. Até lá, a faixa exibida no estádio segue impulsionando a antiga disputa entre Argentina e Reino Unido, agora às vésperas da decisão da Copa.

Com informações de Agência Brasil

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