A participação da indústria de transformação na economia brasileira encolheu de forma contínua nas últimas três décadas, tendência que se mostra ainda mais acentuada no Espírito Santo. Especialistas veem na reforma tributária uma oportunidade para recuperar a competitividade do setor e impulsionar a reindustrialização.
Pressão tributária e queda de competitividade
Pesquisa dos economistas Claudio Considera e Ana Letícia Branco, publicada em 19 de junho no Valor Econômico, relaciona o processo de desindustrialização à carga tributária incidente sobre o segmento. Segundo o estudo, os tributos médios pagos pela indústria subiram de 10,9% em 1990 para 13,0% em 2021, bem acima da média de 7% verificada no conjunto da economia.
A comparação internacional evidencia a perda de fôlego competitiva: no México, a tributação média do setor é de 3,1%; na Colômbia, 8,7%; e na União Europeia, 8,6%. O efeito desse descompasso tem sido refletido na posição do Brasil no ranking global de competitividade do IMD/FDC, que caiu da 58ª para a 65ª colocação em 2025, atrás de Chile (43ª), Argentina (58ª) e México (62ª).
Reforma traz não cumulatividade e recuperação de créditos
A proposta de reforma tributária prevê a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, ambos sob o regime de não cumulatividade. A mudança permitirá a plena recuperação de créditos fiscais ao longo das cadeias produtivas, alinhando o modelo brasileiro a padrões internacionais e reduzindo disparidades em relação a outros setores.
No Espírito Santo, um dos estados mais afetados pela retração industrial, o alívio na carga de impostos pode abrir espaço para investimentos em inovação, modernização de plantas e adoção de novas tecnologias, segundo o economista Orlando Caliman. O ex-secretário estadual de Planejamento destaca que a correção das distorções tributárias tende a fortalecer a competitividade interna e externa das empresas capixabas.

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A reforma integra um conjunto de iniciativas que inclui a Nova Política de Reindustrialização, desenhada para enfrentar fatores como a “doença holandesa”, a valorização cambial e o chamado custo Brasil — elementos apontados por diferentes estudos como causas adicionais da perda de peso da atividade manufatureira no Produto Interno Bruto.
Com informações de Folha Vitória












