Em 2018, a Stripe ofereceu US$ 1,2 bilhão para comprar a australiana Airwallex, então com receita anualizada de cerca de US$ 2 milhões. O fundador Jack Zhang chegou a aceitar a proposta, mas voltou atrás após retornar a Melbourne e revisar o plano estratégico da empresa. O que era uma possível fusão transformou-se, oito anos depois, em disputa direta pelo mesmo mercado.
Expansão acelerada
A Airwallex afirma ter ultrapassado US$ 1,3 bilhão em receita anualizada, crescimento de 85% ano a ano, e processa perto de US$ 300 bilhões em volume de transações anualizado. A companhia detém quase 90 licenças financeiras em 50 mercados — número que, segundo Zhang, é aproximadamente o dobro do portfólio regulatório da Stripe.
O processo de obtenção de licenças define a estratégia da Airwallex. No Japão, por exemplo, o trâmite levou sete anos. Em alguns países emergentes, a fintech adquiriu empresas com autorizações já existentes e reconstruiu a infraestrutura tecnológica internamente. Zhang resume a filosofia como “caminho de máxima resistência”, apostando que cada licença se converte em barreira competitiva.
Modelo de negócios
Com licença de operador de transferência de fundos no Japão, a Airwallex pode manter saldos em sua própria plataforma, permitindo que clientes emitam contas, cartões e façam pagamentos sem que o dinheiro saia do ecossistema. Essa estrutura evita taxas de conversão de 2% a 3% comuns em processadoras tradicionais e possibilita uso de saldos locais para despesas em moeda estrangeira a taxas interbancárias.
Historicamente, a Airwallex vende para diretores financeiros na Austrália e no Sudeste Asiático, enquanto a Stripe conquistou desenvolvedores nos Estados Unidos. Agora, com a entrada da Stripe em mais mercados internacionais e a chegada da Airwallex aos EUA, as rotas se cruzam.
Força da marca e captação
A Stripe mantém forte reputação no Vale do Silício e foi avaliada em US$ 159 bilhões em oferta secundária de fevereiro de 2026, após processar US$ 1,9 trilhão em 2025. A Airwallex foi avaliada em US$ 8 bilhões em dezembro de 2025. Zhang ressalta que o volume de pagamentos da Stripe é cerca de seis vezes maior, não 20 vezes, sugerindo que a diferença de valor de mercado pode se estreitar conforme a receita da Airwallex se aproxime de US$ 2 bilhões no próximo ano.

Imagem: Getty
Entre os investidores, Sequoia — por meio da então Sequoia Capital China, hoje Hongshan — apoiou a Airwallex desde o início. O fundo Greenoaks Capital possui participações nas duas empresas. Questionado sobre eventual conflito, Zhang afirma que os investidores enxergam um mercado amplo o suficiente para ambos.
Próximos passos
A Airwallex projeta alcançar um milhão de clientes até 2030, US$ 20 bilhões em receita anual e elevar a receita média por cliente de aproximadamente US$ 12 mil para US$ 20 mil. No curto prazo, lança ferramentas de finanças autônomas baseadas em inteligência artificial, que executam transações a partir dos dados reunidos ao longo de uma década.
A empresa também avalia uma oferta pública inicial, mas Zhang indica que o IPO não deve ocorrer antes de três a cinco anos. Até lá, a disputa com a Stripe tende a se intensificar, agora em território compartilhado.
Com informações de TechCrunch







