O apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, tornou-se réu por suposto crime de violência política de gênero contra a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN). A decisão é do juiz Tiago Ducatti Lino Machado, da 1.ª Zona Eleitoral de São Paulo, que aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral.
Segundo a Promotoria, em 15 de dezembro de 2021, durante transmissão na Rádio Massa FM, Ratinho atacou a parlamentar ao comentar um projeto de lei de sua autoria e proferiu frases como “vá lavar roupa, costura a calça do teu marido, a cueca dele” e “feia do capeta”. O MP sustenta que as declarações tinham a intenção de humilhar Bonavides e dificultar o exercício de seu mandato.
No programa, o apresentador criticava a proposta que pretendia substituir as expressões “marido” e “mulher” por termos neutros, como “casais” ou “família”, no Código Civil, com foco na inclusão de uniões homoafetivas.
Indícios e provas
Para o magistrado, a materialidade do delito está demonstrada por gravações e transcrições do programa. Ele apontou que as falas remetem a estereótipos que relegam a mulher ao espaço doméstico e deslegitimam sua participação política, caracterizando possível violência de gênero.
O juiz destacou ainda outra declaração do apresentador — “a gente tinha que eliminar esses loucos, não dá para pegar uma metralhadora?” —, classificando-a como potencialmente intimidatória.
Trâmite do caso
A investigação começou após representação da Comissão de Direitos Humanos do Senado. A Polícia Federal colheu depoimentos de Bonavides e de Ratinho, que confirmou as falas e alegou se tratar do “seu estilo” para aumentar a audiência.

Imagem: Internet
Em abril de 2023, a 2.ª Zona Eleitoral de São Paulo arquivou o inquérito a pedido do MP Eleitoral. A deputada recorreu e, em outubro de 2024, o Tribunal Regional Eleitoral paulista anulou o arquivamento, enviando o processo à 2.ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal. Em dezembro de 2025, o colegiado rejeitou o arquivamento por entender haver indícios suficientes de crime.
O Ministério Público aditou a denúncia e pediu fixação de indenização mínima de R$ 1 milhão por danos morais à deputada, com base no artigo 387, IV, do Código de Processo Penal.
Com a ação penal aberta, Ratinho terá oportunidade de apresentar defesa. Procurado, o apresentador ainda não se manifestou.
Com informações de Folha Vitória







