Pioneiras da seleção feminina devem receber reparação financeira e seguem na formação de novos talentos

Brasília – Ex-integrantes da primeira seleção brasileira feminina, que disputou o Torneio Experimental da Fifa em 1988, poderão receber indenização de R$ 500 mil cada uma, conforme prevê o Projeto de Lei 1.315/2026, que institui a Lei Geral da Copa de 2027. A competição será realizada no Brasil.

A proposta, em análise na Câmara dos Deputados, busca reconhecer esportistas que atuaram quando a modalidade tinha pouca estrutura e visibilidade. O texto segue o modelo adotado no Mundial masculino de 2014, quando campeões de 1958, 1962 e 1970 – ou seus herdeiros – foram contemplados.

Márcia Honório volta-se à base

Márcia Honório da Silva, 63 anos, é uma das beneficiárias. Conhecida como Marcinha, a ex-meio-campista coleciona quase duas décadas de carreira nos gramados e, desde a aposentadoria, dedica-se a categorias de base de futsal. Atualmente, coordena equipes de crianças de 7 a 10 anos na Sociedade Esportiva e Recreativa de Caieiras (SP), sua cidade natal.

Entre os atletas revelados por ela estão o volante Nonato (Fluminense), o meia Rodrigo Nestor (Bahia) e o lateral-esquerdo Matheus Bidu (Corinthians). “Hoje há estrutura e visibilidade, mas o que faz um campeão continua sendo coração, respeito pela história e disciplina”, afirmou.

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Fanta mantém o trabalho em campo

Outra pioneira contemplada é Rosilane Camargo Motta, a Fanta, lateral-esquerda que defendeu o Brasil no torneio de 1988 e em três Copas do Mundo (1991, 1995 e 1999). Aos 60 anos, ela ministra aulas de futebol para meninas no Parque Oeste, no Rio de Janeiro, e complementa a renda como churrasqueira.

“Nossa modalidade já foi proibida. O reconhecimento mostra que a luta não foi em vão e deixa um legado para a nova geração”, disse Fanta, lembrando a proibição do futebol feminino entre 1941 e 1979.

Fanta também atua em uma das Vilas Olímpicas do programa “Rio: Capital do Futebol Feminino”, que oferece aulas gratuitas e tem participação da ex-zagueira Marisa, capitã da seleção de 1988.

Expectativa para a Copa de 2027

As ex-jogadoras veem a chegada da Copa do Mundo Feminina ao país como oportunidade de ampliar o profissionalismo nos clubes, atrair investimentos na base e lotar estádios. “Espero que o Brasil prove que sabe organizar um evento digno do futebol feminino”, afirmou Márcia Honório.

A votação do PL 1.315/2026 ainda não tem data definida. Caso aprovado sem alterações, o pagamento contemplará atletas que representaram a seleção nos torneios de 1988 e 1991.

Com informações de Agência Brasil

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