O cientista da computação Stuart Russell, da Universidade da Califórnia em Berkeley, foi o único perito técnico ouvido em 4 de maio de 2026 no processo movido por Elon Musk para tentar encerrar as atividades comerciais da OpenAI. Diante da juíza Yvonne Gonzalez Rogers e de um júri federal em São Francisco, Russell advertiu que a corrida para desenvolver Artificial General Intelligence (AGI) pode gerar riscos significativos, desde ameaças de cibersegurança até problemas de desalinhamento dos sistemas.
O que está em jogo
Musk alega que a OpenAI foi criada como uma entidade sem fins lucrativos dedicada à segurança da IA, mas teria se desviado do propósito original ao buscar lucros. Seus advogados exibem e-mails e declarações antigos dos fundadores para sustentar que a instituição deveria funcionar como contrapeso público ao Google DeepMind.
Testemunho de Stuart Russell
Veterano no estudo de IA, Russell coassinou em março de 2023 uma carta aberta pedindo pausa de seis meses nas pesquisas — documento que também recebeu a assinatura de Musk, mesmo período em que o bilionário lançava o laboratório comercial xAI. No depoimento, o professor listou:
- Riscos de cibersegurança associados a sistemas avançados;
- Desafios de desalinhamento entre objetivos humanos e de IA;
- A dinâmica “vencedor-leva-tudo” na disputa global por AGI.
Para Russell, existe tensão inerente entre a busca acelerada por AGI e a garantia de segurança.
Limites impostos pela defesa da OpenAI
Advogados da OpenAI objetaram a trechos mais amplos sobre ameaças existenciais, levando a juíza a restringir o campo de fala do perito. No contrainterrogatório, a equipe de defesa deixou claro que Russell não avaliou a estrutura societária da empresa nem examinou diretamente suas políticas internas de segurança.
Disputa sobre segurança e lucro
O processo reflete um dilema já reconhecido dentro da própria OpenAI: à medida que o grupo percebeu a necessidade de recursos computacionais maiores, passou a depender de investimento com fins lucrativos, acirrando a competição que agora é citada por Musk como motivo de preocupação.

Imagem: Internet
Ecos no Congresso dos EUA
Em paralelo, o senador Bernie Sanders propôs moratória na construção de data centers, usando argumentos sobre riscos de IA expressos por Musk, Sam Altman, Geoffrey Hinton e outros. Hoden Omar, da organização Center for Data Innovation, criticou o uso seletivo dessas declarações, observando que só se consideram os alertas, ignorando as expectativas positivas apontadas pelos mesmos especialistas.
Ambas as partes no litígio agora pedem ao tribunal que leve em conta apenas os trechos de argumentos de Altman e Musk que reforçam suas respectivas teses, deixando de lado o restante.
Com informações de TechCrunch







