Cupertino, EUA — A Apple confirmou na segunda-feira que John Ternus assumirá o cargo de diretor-executivo ainda em 2026, substituindo Tim Cook, que comandou a empresa desde 2011.
Cook transformou a companhia em um gigante avaliado em cerca de US$ 4 trilhões, expandiu a área de serviços e liderou alguns dos anos mais lucrativos do setor de tecnologia. Ternus, por sua vez, construiu carreira na engenharia de hardware da Apple, à qual se juntou em 2001. Entre os projetos que supervisionou estão AirPods, Apple Watch e o headset Vision Pro.
Prioridade: dispositivos com inteligência artificial
A nomeação indica uma retomada do foco em produtos físicos num momento em que a empresa busca reafirmar sua estratégia em inteligência artificial. Em vez de competir diretamente pelos maiores modelos de IA, a expectativa é que Ternus concentre esforços em dispositivos que explorem esses recursos — no bolso, no pulso ou na casa do usuário.
Ideias discutidas internamente incluem óculos inteligentes, um pingente vestível com câmera integrada e versões dos AirPods com funcionalidades de IA. Segundo a Bloomberg, todos esses aparelhos devem se conectar ao iPhone e ter a assistente Siri no centro da experiência.
Lançamentos aguardados
Projetos parados podem avançar sob a nova liderança. O exemplo mais citado é o iPhone dobrável, alvo de rumores há anos. Relatórios indicam apresentação em setembro, lançamento que já ficará sob responsabilidade direta de Ternus.
Aposta em robótica doméstica
A Apple também estuda produtos robóticos. Um conceito prevê um dispositivo de mesa com braço mecânico acoplado a uma tela, capaz de se mover e girar para o usuário — função alinhada ao interesse antigo de Ternus por robótica; na universidade, ele criou um braço de alimentação controlado por movimentos da cabeça para pessoas tetraplégicas, segundo o New York Times.

Imagem: Getty
Outras propostas envolvem robôs móveis que acompanhem o usuário, executem tarefas simples ou sirvam como tela ambulante para chamadas FaceTime. Experimentos com robôs humanóides foram mencionados, mas devem levar anos até se concretizarem.
Desafios na cadeia de suprimentos
O próximo CEO enfrentará um cenário complexo. A indústria sofre com falta de chips de memória, e as mudanças tarifárias do presidente Donald Trump continuam afetando a produção. Antes das tarifas, cerca de 80% dos iPhones eram fabricados na China. Para reduzir riscos, a Apple transferiu parte da produção para a Índia, que concentrou 25% dos aparelhos no ano passado, de acordo com a Bloomberg.
Com a sucessão definida e o portfólio em evolução, Ternus será responsável por conduzir a Apple em um período de intensa competição por inovação em hardware e inteligência artificial.
Com informações de TechCrunch







