Washington (EUA) – A Justiça dos Estados Unidos condenou os norte-americanos Kejia Wang, de 35 anos, e Zhenxing Wang, de 39, a sete anos e meio e nove anos de prisão, respectivamente, por colaborarem com um esquema que permitiu a trabalhadores de TI da Coreia do Norte se passarem por profissionais residentes nos EUA e obterem salários de companhias americanas.
De acordo com o Departamento de Justiça (DoJ), o golpe operou entre 2021 e 2024 e gerou cerca de US$ 5 milhões para o regime norte-coreano. A dupla, que morava em Nova Jérsei, montou e administrou “fazendas de laptops” no território norte-americano. Esses computadores eram acessados remotamente por profissionais norte-coreanos, o que fazia parecer que eles atuavam dentro dos Estados Unidos.
A investigação apontou que mais de 80 cidadãos norte-americanos tiveram identidades furtadas para a criação de perfis falsos e que pelo menos 100 empresas, incluindo integrantes da lista Fortune 500, contrataram os supostos especialistas. Além de salários, em alguns casos houve roubo de segredos comerciais e códigos-fonte, segundo o DoJ.
Entre as funções de Kejia Wang estava supervisionar fazendas com centenas de laptops; já Zhenxing Wang hospedava parte dos equipamentos em sua residência. Para movimentar o dinheiro, os dois abriram empresas de fachada e contas bancárias vinculadas aos perfis falsos. O grupo de seis facilitadores norte-americanos, incluindo os irmãos Wang, recebeu quase US$ 700 mil em comissões.
Em um dos incidentes citados pela acusação, trabalhadores fantasmas obtiveram dados sob controle de exportação de uma empresa californiana de inteligência artificial não identificada.
O governo dos EUA também anunciou recompensas de até US$ 5 milhões por informações que ajudem a desmontar esquemas semelhantes e por dados sobre nove suspeitos que teriam colaborado com os condenados.

Imagem: Internet
Segundo as autoridades, a fraude integra uma estratégia mais ampla de Pyongyang para obter recursos, ao lado de ataques a criptomoedas que somaram mais de US$ 2 bilhões somente no ano passado. Para evitar contratações fraudulentas, recrutadores chegaram a adotar métodos inusitados, como pedir que candidatos fizessem críticas públicas ao líder Kim Jong-un, ato proibido na Coreia do Norte.
As sentenças foram proferidas nesta quarta-feira (16) em tribunal federal. Os condenados ainda podem recorrer.
Com informações de TechCrunch







