Pesquisadores de segurança digital identificaram uma operação de hackers de aluguel que, de 2023 a 2025, atacou jornalistas, ativistas e funcionários públicos no Oriente Médio e Norte da África. A campanha utilizou golpes de phishing para obter credenciais do iCloud, invadir contas do Signal e instalar o spyware ProSpy em dispositivos Android.
Alvos e investigação
O estudo foi conduzido pela organização de direitos digitais Access Now, pelo grupo libanês SMEX e pela empresa de cibersegurança móvel Lookout, que publicaram relatórios independentes nesta quarta-feira (8). Segundo a Lookout, os alvos vão além da sociedade civil do Egito e do Líbano, incluindo integrantes dos governos do Bahrein e do Egito, além de pessoas nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Reino Unido e possivelmente nos Estados Unidos ou ex-alunos de universidades americanas.
Elo com fornecedores indianos
A Lookout concluiu que a operação tem ligação com um fornecedor de serviços de “hack-for-hire” associado ao grupo BITTER APT, suspeito de ter vínculos com o governo da Índia. O pesquisador Justin Albrecht, da Lookout, afirmou que a campanha pode ser conduzida por um desdobramento da startup indiana Appin, citando a empresa RebSec como possível responsável. A Appin encerrou atividades após reportagens da Reuters em 2022 e 2023, mas, segundo Albrecht, o trabalho foi retomado por companhias menores.
Táticas empregadas
Nos ataques contra usuários de iPhone, os criminosos tentavam obter o ID Apple das vítimas para acessar backups armazenados no iCloud, alternativa mais barata ao spyware avançado para iOS. Em aparelhos Android, o spyware ProSpy era disfarçado de aplicativos populares como Signal, WhatsApp, Zoom, ToTok e Botim.
Em alguns casos, os invasores tentavam registrar um novo dispositivo controlado por eles na conta Signal da vítima, método já observado em outros grupos, inclusive espiões russos.

Imagem: Internet
Custos e responsabilidade diluída
Mohammed Al-Maskati, do Access Now, destacou que essas operações se tornaram mais baratas e facilitam a negação de responsabilidade, já que a infraestrutura não revela quem contratou o serviço. Albrecht acrescentou que, para governos e outras entidades, contratar hackers de aluguel costuma ser mais econômico que adquirir spyware comercial.
A RebSec não respondeu aos pedidos de comentário; seu site e perfis em redes sociais foram removidos. A embaixada da Índia em Washington, D.C., também não se pronunciou.
Com informações de TechCrunch







