Europa acelera plano para reduzir dependência de software dos EUA e impulsiona tecnologia “soberana”

Governos europeus intensificam iniciativas para diminuir a utilização de serviços tecnológicos norte-americanos, motivados principalmente por questões legais e de segurança de dados após a aprovação do CLOUD Act nos Estados Unidos em 2018. A lei obriga empresas sediadas nos EUA a fornecer informações a autoridades americanas, mesmo quando os dados estão armazenados em servidores fora do país, o que acendeu alertas sobre a proteção de conteúdo sensível, como registros de saúde.

Saúde francesa migra para nuvem nacional

Em abril de 2025, o governo francês decidiu transferir o Health Data Hub da Microsoft Azure para uma infraestrutura considerada “soberana”. O contrato foi vencido pela Scaleway, provedora de nuvem do grupo iliad, que vem expandindo data centers em toda a Europa.

Comissão Europeia diversifica fornecedores

Além da mudança francesa, a Comissão Europeia concedeu uma licitação de €180 milhões (cerca de US$211 milhões) para serviços de nuvem a quatro empresas: Scaleway, CleverCloud, OVHCloud (todas francesas) e STACKIT, pertencente ao grupo alemão Schwarz. A Amazon ficou de fora, apesar de ter lançado a oferta AWS European Sovereign Cloud. Especialistas temem, contudo, possível influência norte-americana porque um dos vencedores utiliza a S3NS, parceria entre Thales e Google Cloud.

Alternativas a buscadores norte-americanos

Buscando reduzir a dependência de Google e Microsoft, o buscador francês Qwant e a ONG alemã Ecosia criaram o índice de buscas Staan, com foco em privacidade. Apesar do projeto, ambos permanecem longe da popularidade dos rivais dos EUA — Ecosia soma cerca de 20 milhões de usuários.

Software livre ganha força em órgãos públicos

A França iniciou a substituição do Windows por distribuições do sistema operacional Linux. Órgãos de Áustria, Dinamarca, Itália e Alemanha estudam trocar a suíte Microsoft Office por alternativas de código aberto, como LibreOffice. Em alguns casos, a estratégia envolve desenvolver internamente ferramentas, prática questionada pelo Tribunal de Contas francês por possível elevação de custos.

Grandes empresas ainda recorrem a fornecedores dos EUA

Mesmo com o movimento governamental, companhias privadas continuam firmando contratos com grupos norte-americanos. A Lufthansa e a Air France escolheram a rede Starlink, de Elon Musk, para serviços de Wi-Fi a bordo, e a estatal ferroviária francesa SNCF avalia decisão semelhante.

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Imagem: Getty

Pressão popular e oportunidades de mercado

Episódios como o aumento de downloads de aplicativos pró-boicote a produtos dos EUA na Dinamarca, após declarações do ex-presidente Donald Trump sobre a Groelândia, apontam crescente apoio popular à “desamericanização” tecnológica. Ao mesmo tempo, empresas europeias observam oportunidade: a francesa Mistral AI relatou alta de receitas por se apresentar como alternativa à OpenAI, enquanto governos canadense e alemão apoiam a fusão da Cohere com a alemã Aleph Alpha para formar um polo transatlântico de inteligência artificial.

Autoridades e executivos europeus defendem que medidas para diversificar fornecedores e priorizar soluções desenvolvidas no continente possam gerar resiliência, estimular o surgimento de novas líderes globais e alinhar serviços digitais às legislações e valores da União Europeia.

Com informações de TechCrunch

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