Desentendimentos constantes sobre as contas de água e energia elétrica antecederam o assassinato de Daniele Toneto Rocha e Francisca Chaguiana Dias Viana, mortas a tiros em 8 de abril de 2026 em Cariacica, na Grande Vitória. O autor dos disparos foi o cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, que, segundo testemunhas, chegou fardado ao prédio onde moravam e efetuou pelo menos 15 tiros.
Convivência marcada por conflitos
Os moradores do pequeno edifício compartilhavam as despesas mensais. Áudios obtidos pela reportagem do programa Domingo Espetacular, da Record, mostram que as discussões giravam principalmente em torno do barulho e do valor das contas, infladas, conforme os relatos, pelo uso frequente de um ar-condicionado instalado pelo militar antes da separação com a ex-esposa.
Em um dos registros, Francisca reclama do som constante de uma bola quicando no apartamento vizinho: “Eu não aguento mais, é toda hora, de manhã quando eles acordam até o dia todinho jogando essa bola”, diz. Em outra mensagem, Daniele relata dificuldades de convivência com a ex-companheira do cabo: “Ela é muito metida a polícia. Falar a verdade, a conversa com ela tá horrível”.
Os áudios também apontam que a ex-esposa recorria ao militar para resolver impasses: “Toda coisa dela é: vai chamar o Luiz, que o Luiz resolve. Você já sabe como é que ele é”, comenta Daniele. Moradores afirmam ainda que o policial “já aterrorizou todo mundo aqui, botando arma na cabeça de todo mundo”.
Dinâmica do crime
Na noite do ataque, Francisca morreu no local. Daniele tentou atravessar a rua, mas foi baleada novamente quando já estava caída. As duas vítimas tinham relacionamento próximo e moravam no mesmo prédio do suspeito.
Histórico de violência
De acordo com a Polícia Civil, o cabo já era investigado por outros episódios graves, incluindo abuso de autoridade, lesão corporal e homicídio. Entre os casos em aberto, constam a morte de Lara Croft, em 2022, ainda sem sentença, e investigações pelos homicídios de Sheverton Silva Gus (2009) e Rony Calisto Meira (2024). Em um desses processos, a corporação classificou a ação como legítima defesa; outro segue no Tribunal do Júri.

Imagem: Pessoal
As novas mortes são apuradas pela Divisão de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM). Os policiais envolvidos na ocorrência foram afastados do patrulhamento, tiveram as armas recolhidas e passaram a funções administrativas, enquanto a Justiça analisa o pedido de suspensão apresentado pelo encarregado do inquérito.
O cabo Luiz Gustavo permanece como principal suspeito do duplo homicídio.
Com informações de Folha Vitória







