A declaração da influenciadora e educadora física Carol Borba, que contou em um videocast do PodShape oferecer whey protein e creatina à filha de três anos, acendeu o debate sobre o uso de suplementos na infância.
Durante a entrevista, Borba relatou preparar “leite com whey” na mamadeira noturna da criança e afirmou já ter pesquisado sobre o tema. A repercussão negativa nas redes sociais levou especialistas a reforçarem que suplementação em crianças só deve ocorrer em situações pontuais e após avaliação profissional.
Orientação nutricional é prioridade
A nutricionista clínica Bruna Rabello, do Hospital Vitória Apart, explica que a base da alimentação infantil deve ser composta por cereais, frutas, verduras, legumes e proteínas de origem animal e vegetal. Segundo a profissional, suplementos entram apenas quando há indicação clínica bem definida e com monitoramento rigoroso.
Quando o whey pode ser prescrito
De acordo com a pediatra Patrícia Saraiva, também do Vitória Apart, o whey protein pode ser recomendado em casos como:
- Desnutrição;
- Doenças crônicas específicas;
- Seletividade alimentar severa;
- Baixa ingestão de proteína.
A médica ressalta que, mesmo nessas situações, a suplementação deve ser feita somente com prescrição pediátrica e acompanhamento nutricional.
Creatina antes dos 18 anos não é indicada
Saraiva acrescenta que a creatina não deve ser oferecida a menores de 18 anos. O composto, formado por glicina, metionina e arginina, é produzido pelo corpo e obtido naturalmente a partir de carnes e peixes, dispensando o uso de suplementos na infância.

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Riscos do uso indiscriminado
Rabello alerta que a oferta desnecessária de suplementos pode ocasionar excesso de nutrientes, sobrecarregar rins e fígado, provocar desequilíbrios na dieta, interferir no crescimento, além de risco de toxicidade por altas doses de vitaminas ou contaminação de produtos não adequados para a faixa etária.
O whey protein, classificado como alimento ultraprocessado, não é considerado essencial para o desenvolvimento de crianças saudáveis, reforça a pediatra.
Estratégias para melhorar a alimentação infantil
Para famílias que buscam melhorar a qualidade nutricional sem recorrer a suplementos, Rabello sugere estabelecer rotina de horários, oferecer variedade de alimentos e incluir as crianças no processo de escolha ou preparo das refeições, estratégias que costumam aumentar a aceitação de alimentos saudáveis.
Com informações de Folha Vitória





