Startup nuclear Deep Fission tenta abrir capital na Nasdaq pela segunda vez

A Deep Fission, empresa que desenvolve reatores subterrâneos para abastecer centros de dados de inteligência artificial, protocolou em 20 de maio um pedido de oferta pública inicial (IPO) na Nasdaq. A companhia pretende captar entre US$ 157 milhões e US$ 163 milhões, vendendo ações a US$ 24-26 e podendo alcançar avaliação de até US$ 1,66 bilhão.

Primeira listagem não chegou a negociar

Em setembro do ano passado, a Deep Fission havia informado ter se tornado uma empresa de capital aberto por meio da fusão reversa com a Surfside Acquisition, uma “empresa-casca” registrada em Delaware. Na ocasião, arrecadou US$ 30 milhões em uma colocação privada a US$ 3 por ação. Porém, os papéis nunca foram negociados: a intenção era listá-los no OTCQB, mercado destinado a companhias em estágio inicial que não atendem aos requisitos de bolsas como NYSE ou Nasdaq. O novo formulário S-1 declara que as ações jamais chegaram a ser negociadas publicamente.

Questionada pelo TechCrunch, a Deep Fission não comentou o assunto, citando o período de silêncio regulamentar que antecede o IPO.

Atrasos e alerta de continuidade

A documentação submetida agora à Securities and Exchange Commission (SEC) mostra um cenário mais desafiador do que o descrito em dezembro. O cronograma para ligar o primeiro reator foi adiado: em dezembro, a meta era atingir criticidade até julho de 2026; no novo S-1, não há previsão. O texto repete o alerta de “continuidade operacional”: sem concluir a oferta, a empresa pode ficar sem caixa nos próximos 12 meses.

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Os números reforçam a preocupação. O déficit acumulado cresceu de US$ 56,2 milhões para US$ 88,1 milhões entre dezembro e março. No mesmo período, caixa e equivalentes caíram US$ 6,4 milhões, redução de 7 %.

Foco em perfuração e desafios técnicos

A companhia afirma priorizar a perfuração de poços de teste. O primeiro, iniciado em março, coletará dados até 6.000 pés (cerca de 1,8 km) de profundidade com diâmetro de oito polegadas — dimensão menor que a necessária em escala comercial. Para operação plena, serão exigidos poços de 30 a 50 polegadas de diâmetro e cerca de 1,6 km de profundidade, acima do padrão da indústria de óleo e gás. Sem confirmar o tamanho exato possível, o projeto do reator segue indefinido.

Novos recursos, mesma incerteza

Desde dezembro, a Deep Fission recebeu um aporte de US$ 80 milhões, dos quais US$ 20 milhões vieram da desenvolvedora de data centers Blue Owl. O acordo inclui um memorando de entendimentos não vinculativo para potenciais usinas futuras. Ainda assim, o reforço financeiro não eliminou o risco apontado no alerta de continuidade.

Com o novo IPO, a Deep Fission tenta, pela segunda vez em menos de um ano, acessar o mercado de capitais para viabilizar seus planos de fornecer energia nuclear a centros de dados.

Com informações de TechCrunch

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