A Google anunciou nesta terça-feira (19) a integração do Street View ao Project Genie, modelo de mundo da DeepMind capaz de gerar ambientes interativos. A novidade foi apresentada durante a conferência de desenvolvedores Google I/O 2026.
Com a atualização, usuários poderão navegar virtualmente por ruas reais e alterar condições como clima ou horário, criando cenários similares a videogames. Segundo Jack Parker-Holder, cientista de pesquisa da equipe de “open-endedness” da DeepMind, a ferramenta pode, por exemplo, ajudar a treinar robôs para situações pouco frequentes, como o raro sol refletindo nas casas vitorianas de Londres.
Como funciona
O Street View reúne há 20 anos imagens captadas por carros e mochilas com câmeras. Hoje, o acervo supera 280 bilhões de fotos em 110 países e sete continentes. Ao combinar esse banco de dados ao Genie, a empresa espera ampliar o realismo das simulações.
Lançado em agosto do ano passado para pesquisa, o Genie 3 foi aberto em janeiro a assinantes do plano Google AI Ultra nos Estados Unidos, permitindo criar mundos interativos a partir de texto ou imagens. A tecnologia já auxilia o simulador da Waymo a treinar carros autônomos para eventos raros, como tornados ou encontros com elefantes; o acréscimo do Street View pode acelerar a expansão do serviço para novas cidades.
Disponibilidade gradual
A integração começa a chegar hoje a parte dos assinantes Ultra nos EUA e será liberada globalmente nas próximas semanas. De acordo com Diego Rivas, gerente de produto da DeepMind, o recurso ainda é experimental e precisa melhorar em precisão.
Limitações atuais
Nos testes exibidos pela empresa, as imagens geradas lembram gráficos de jogos eletrônicos e não são fotorealistas. Os modelos também não entendem plenamente física e causa-e-efeito: em uma demonstração, uma personagem atravessou cactos e arbustos sem resistência. Parker-Holder estima que a qualidade esteja de seis a 12 meses atrás dos geradores de vídeo mais avançados da Google.

Imagem: Internet
Jonathan Herbert, diretor do Google Maps que começou como estagiário na equipe do Street View, afirma que o Genie ainda não reconstrói fielmente uma rua; o diferencial é a continuidade espacial, permitindo que o ambiente seja lembrado quando o usuário gira 360 graus e, a partir daí, expandido com novos elementos.
Segundo Herbert, o objetivo de longo prazo é usar os dados do Maps para construir o modelo mais rico possível do mundo real, atendendo a aplicações em educação, jogos e robótica.
Com informações de TechCrunch





