São Paulo – A ausência de iniciativas corporativas voltadas ao bem-estar menstrual provoca a perda média de 22 dias de trabalho por ano a cada 100 colaboradoras, aponta pesquisa divulgada nesta terça-feira (19) pela multinacional sueca Essity, pelo Great Place to Work (GPTW) e pela consultoria mexicana Dalia.
O levantamento, intitulado “Menstruação e produtividade no trabalho”, analisou o tema entre maio e setembro de 2025 em 1.688 respondentes e 80 empresas dos ramos de serviços, comércio e indústria. Os resultados mostram que apenas 8% das companhias no Brasil contam com alguma ação específica para funcionárias que menstruam, enquanto 75% jamais discutiram o assunto internamente.
Produtividade afetada
De cada dez profissionais que menstruam, nove relatam queda de rendimento durante o período. Entre os desconfortos mais comuns estão alterações de humor ou irritabilidade (85,3%), cólicas (84,2%), cansaço (74%), inchaço e dor nos seios (65,2%), dor de cabeça (56,3%) e dor lombar (53,9%). Apenas 1,9% das entrevistadas disseram não sentir qualquer incômodo.
A consequência direta é o aumento de ausências: 59,2% já deixaram de trabalhar ao menos um dia por causa dos sintomas. Uma em cada quatro participantes relatou ter sofrido algum tipo de penalidade profissional ligada à menstruação, incluindo descontos salariais, assédio, recusa de promoções ou demissão.
Baixo entendimento corporativo
O estudo classifica o nível de compreensão das empresas sobre o impacto da menstruação na produtividade como baixo em 65,4% dos casos, médio em 20,5% e alto em somente 14,1%.

Imagem: Marcelo Camargo
Medidas simples e de baixo custo
Segundo as entrevistadas, cinco ações são consideradas essenciais para reduzir o desconforto e melhorar o desempenho:
- Flexibilidade de jornada ou possibilidade de trabalho remoto nos dias de menstruação, mediante avaliação médica;
- Disponibilização de analgésicos, absorventes e itens de higiene;
- Adequação temporária de funções conforme o ciclo menstrual;
- Concessão de licenças menstruais;
- Palestras de conscientização sobre o tema.
Para Palmira Camargo, diretora de Comunicações e Assuntos Públicos da Essity na América Latina e porta-voz do levantamento, a falta de dados concretos mantém o tema à margem das agendas de diversidade e inclusão. “Quando apresentamos números que mostram impacto econômico, as empresas percebem a relevância”, afirmou.
Com informações de Folha Vitória







