Nova classificação brasileira do café muda contagem de defeitos e impacta preço pago ao produtor

O Ministério da Agricultura trabalha na revisão da Classificação Oficial Brasileira (COB) do café, sistema que estabelece o “tipo” do grão e serve de base para a formação de preço na origem. O texto, ainda em elaboração, traz mudanças estruturais para os segmentos de arábica e conilon, com reflexos diretos para produtores de todo o país.

Espírito Santo — maior produtor nacional de conilon e polo emergente em arábica de altitude — figura no centro da discussão, já que o novo modelo promete alterar a remuneração de quem entrega café com menor índice de defeitos.

Como era e como ficará

Hoje, a COB contabiliza defeitos por equivalência numérica: cada imperfeição vale um número específico e, somadas, definem o tipo do café. A proposta em debate substitui essa metodologia pelo peso percentual dos defeitos na amostra, prática conhecida no setor como “catação”.

“Na classificação por tipo, vamos considerar a porcentagem de catação; atualmente contamos defeitos por equivalência”, explicou Leandro Barbosa, especialista em café verde da LB Café Consultoria.

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Efeito imediato no conilon

A alteração atinge sobretudo o conilon. Dois lotes hoje avaliados como tipo 7, ambos com 200 defeitos pelo método atual, podem ter catação muito distinta: um com 25% e outro com 40% de material indesejado. Pelo padrão vigente, recebem o mesmo preço. Com a nova COB, o lote com menor percentual de defeitos será remunerado de forma superior.

“Com a nova regra, o café com menos catação valerá mais”, resumiu Barbosa.

Impacto menor no arábica

Para o arábica, a mudança oficializa procedimentos já utilizados no mercado, padronizando critérios que muitos compradores adotam informalmente. Segundo Barbosa, trata-se de “uma formalização do que o mercado pratica, agora com respaldo oficial”.

Avaliação sensorial alinhada à SCA

No aspecto sensorial, o texto aproxima a COB da metodologia da Specialty Coffee Association (SCA). Os cafés serão enquadrados por categorias a partir de descritores sensoriais; se o lote alcançar status de especial, passa por uma segunda etapa de análise descritiva e afetiva, replicando exigências do mercado premium.

Déficit de classificadores

O setor encara um desafio adicional: a falta de profissionais capacitados. “Há escassez de classificadores tanto para arábica quanto para conilon; profissionais experientes estão cada vez mais raros”, afirmou Barbosa. Embora cursos e certificações ajudem, a expertise prática adquirida nos armazéns continua indispensável. O especialista observa, contudo, um movimento de jovens ingressando na atividade, atraídos pela valorização da classificação e da degustação.

Qualidade passa a render mais

Para o produtor capixaba — e para o restante do país — a mensagem é clara: lotes com menor catação garantem melhor rendimento no rebenefício e, pelas novas regras, preço mais alto. Investir em pós-colheita e qualidade deixa de ser apenas diferencial mercadológico e passa a compor o critério oficial de precificação.

Com informações de Folha Vitória

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