A Spotify apresentou, em seu último dia para investidores, uma série de recursos baseados em inteligência artificial que deslocam o foco do serviço de streaming — de um catálogo majoritariamente formado por conteúdos humanos — para a geração automática de música, podcasts e audiolivros.
Mais músicas geradas por IA
Após críticas em 2025 pela falta de identificação de faixas produzidas por algoritmos, a empresa passou a utilizar o padrão DDEX para rotular esse tipo de material. Agora, firmou acordo com a Universal Music Group (UMG) que autoriza fãs a criarem covers e remixes com IA, garantindo remuneração aos artistas, mas também aumentando o volume de obras sintéticas na plataforma.
Audiolivros narrados por vozes sintéticas
Em parceria com a startup ElevenLabs, o Spotify lançará uma ferramenta que permite a autores narrarem seus próprios livros com vozes artificiais. A novidade promete acelerar a produção, embora a narração ainda possa soar pouco natural.
Podcasts pessoais feitos por IA
Entre as funções anunciadas está o recurso de “podcasts pessoais”, capaz de gerar episódios a partir de comandos de texto. O sistema pode resumir agendas, e-mails ou qualquer informação solicitada pelo usuário. Desenvolvedores que utilizam assistentes de código, como Codex ou Claude Code, já tinham acesso a algo semelhante; agora, a função será liberada para todo o público.
Aplicativo experimental para produtividade
A companhia também revelou um programa de desktop que conecta e-mail, notas e calendário do usuário para criar briefings de áudio personalizados. O software, descrito como capaz de pesquisar temas, navegar na web e organizar informações “em nome” do usuário, indica o interesse da plataforma em soluções de IA agentiva — sistemas aptos a concluir tarefas de forma autônoma.

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Busca conversacional e DJ de IA
Para ajudar na navegação de um catálogo cada vez mais extenso, o Spotify acrescentará busca em linguagem natural para podcasts e audiolivros. A ferramenta permitirá perguntar sobre um episódio ou sobre temas gerais, complementando o DJ de IA que já conversa com o ouvinte durante a reprodução de músicas.
Com a estratégia de se tornar um hub de “tudo em áudio”, o serviço incentiva não apenas o consumo, mas também a criação de conteúdo pelos próprios usuários, o que pode tornar a interface mais densa e exigir novas formas de descoberta dentro do aplicativo.
Com informações de TechCrunch




