A combinação entre inovação científica e mudanças no estilo de vida colocou a coluna vertebral no centro do debate médico, aponta o ortopedista e cirurgião de coluna Guilherme Galito em artigo recente. O especialista destaca a liberação, no Brasil, de um estudo clínico que utilizará a proteína polilaminina no tratamento de lesões da medula espinhal — condição historicamente considerada irreversível.
Segundo Galito, a pesquisa representa um marco ao abrir a possibilidade de regeneração neural, ultrapassando a tradicional estratégia de apenas estabilizar ou descomprimir estruturas lesionadas.
“Epidemia” de dores nas costas
Enquanto a ciência avança, a incidência de dor lombar cresce em ritmo acelerado. Estimativas apontam que cerca de 80% da população sentirá dor na região em algum momento da vida. No Brasil, problemas de coluna lideram os afastamentos do trabalho, somando centenas de milhares de casos anuais, conforme o médico.
De acordo com o ortopedista, o quadro deixou de ser exclusivo do envelhecimento e passou a refletir hábitos modernos, como uso frequente de smartphones, longos períodos sentado, sedentarismo e treinamentos físicos inadequados. Pacientes de 30 anos já apresentam discos intervertebrais comparáveis aos de pessoas mais velhas, observa o especialista.
Tecnologia reduz invasividade cirúrgica
Paralelamente, procedimentos na coluna contam hoje com recursos como endoscopia, navegação 3D, robótica e inteligência artificial. Essas ferramentas diminuem a agressão cirúrgica, aumentam a precisão e aceleram a recuperação pós-operatória, permitindo “operar melhor e, muitas vezes, operar menos”, resume Galito.

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Prevenção como pilar de tratamento
Para o médico, intervenções cirúrgicas devem caminhar ao lado de medidas preventivas baseadas em postura adequada, fortalecimento muscular e ergonomia. Ele ressalta que fatores psicológicos e comportamentais também influenciam diretamente na evolução da dor lombar, exigindo abordagem integrada ao sistema biomecânico, neurológico e emocional da coluna.
Galito conclui que, apesar dos avanços tecnológicos sem precedentes, o desafio central permanece: reduzir a necessidade de cirurgia por meio de cuidados básicos e mudanças no estilo de vida.
Com informações de Folha Vitória







