IPO da SpaceX reforça controle de Elon Musk mesmo após abertura de capital

O processo de abertura de capital da SpaceX, detalhado no prospecto divulgado na quarta-feira (21), confirma que Elon Musk continuará a exercer poder majoritário sobre a companhia mesmo após a oferta pública inicial (IPO). O executivo será, simultaneamente, diretor-presidente (CEO), diretor de tecnologia (CTO) e presidente do conselho de administração.

Estrutura acionária garante poder de voto

Atualmente, Musk detém 85% dos direitos de voto da empresa. Depois da listagem em bolsa, essa fatia cairá, mas permanecerá acima de 50%, assegurando a ele a prerrogativa de indicar conselheiros e de tomar decisões estratégicas, como fusões e aquisições, sem possibilidade de destituição por parte dos demais acionistas.

A SpaceX adotará estrutura de ações em dupla classe. O público terá acesso apenas aos papéis Classe A, enquanto Musk controla 93,6% das ações super-votantes Classe B, que não serão ofertadas. Com isso, a companhia será considerada “empresa controlada” pelas regras das bolsas, podendo dispensar exigências de governança aplicáveis a empresas sem acionista controlador.

Barreiras a processos judiciais

Incorporada no Texas, a SpaceX impôs que ações derivadas só poderão ser abertas por investidores que possuam, no mínimo, 3% do capital — estimados em cerca de US$ 52 bilhões, considerando a avaliação pretendida de US$ 1,75 trilhão. Além disso, a maioria dos litígios será encaminhada ao recém-criado Tribunal de Negócios do Texas ou a arbitragem obrigatória, restringindo a via judicial tradicional.

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Venda de ações com impacto limitado

A empresa convenceu a Nasdaq a acelerar sua inclusão no índice Nasdaq 100, previsão que pode se concretizar em poucas semanas. A entrada rápida leva grandes fundos a comprar automaticamente o papel, sustentando o preço no mercado e reduzindo o efeito de eventuais vendas por investidores descontentes.

Pacote de remuneração bilionário

Musk recebeu 1 bilhão de ações Classe B adicionais, que só serão integralmente dele se a SpaceX atingir valor de mercado de US$ 7,5 trilhões e estabelecer uma colônia humana permanente em Marte com ao menos um milhão de habitantes. Mesmo antes do cumprimento dessas metas, ele poderá votar com esses papéis e usá-los como garantia em empréstimos, mediante aprovação do conselho que ele próprio controla. Caso sejam transferidas para trusts, as ações manterão poder de voto ampliado, permitindo que o controle permaneça na família.

Especialistas como Ann Lipton, professora da Universidade do Colorado, destacam que a SpaceX elimina, assim, três instrumentos tradicionais de pressão dos acionistas: voto efetivo, capacidade de processar a administração e influência por meio da venda de ações.

Com informações de TechCrunch

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