A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a inclusão do medicamento Olaparibe para o tratamento de câncer de próstata metastático e ampliou a cobertura do imunobiológico Nirsevimabe para bebês prematuros durante todo o ano. As medidas, segundo o advogado especialista em Direito Médico Eduardo Amorim, ressaltam um paradoxo do setor: operadoras continuam gastando mais para tratar doenças do que para preveni-las.
Mais de 50 milhões de beneficiários
O Brasil possui mais de 50 milhões de usuários de planos de saúde, o que representa uma das maiores coberturas de saúde suplementar da América Latina. Mesmo em um mercado bilionário, regulado e judicializado, a lógica dominante ainda privilegia o custeio de tratamentos complexos, que chegam quando a doença já está avançada, em vez de investir em ações preventivas de menor custo.
Câncer de próstata e terapias de precisão
O câncer de próstata é o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens no país. Quando atinge estágio metastático associado a mutações nos genes BRCA, o prognóstico piora e o tratamento se torna significativamente mais caro. A incorporação do Olaparibe ao rol da ANS é vista por Amorim como um passo para garantir acesso a terapias de precisão que podem reduzir custos futuros e melhorar resultados clínicos.
Proteção contínua para prematuros
Outra mudança atende recém-nascidos prematuros suscetíveis ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Antes restrita a períodos sazonais, a cobertura do Nirsevimabe passa a valer o ano todo. Internações em UTI neonatal por infecções respiratórias evitáveis geram despesas elevadas e impacto duradouro nas famílias; a extensão da proteção, portanto, busca evitar esse desfecho.
Prevenção ainda vista como custo
Para o especialista, persiste uma cultura na saúde suplementar de que a prevenção é despesa e o tratamento, oportunidade de negócio. Esse raciocínio levou, ao longo dos anos, a um rol mais enxuto em medidas preventivas e generoso em procedimentos de alta complexidade — opção que se reflete em gastos maiores, intervenções tardias e piores resultados.

Imagem: Canva
Amorim afirma que a conta da omissão preventiva raramente aparece na mesma linha dos balanços das operadoras que registram a economia obtida ao negar imunobiológicos ou exames. As recentes decisões da ANS, contudo, sinalizam a necessidade de rever essa lógica para tornar o sistema mais sustentável.
Com informações de Folha Vitória







