Relator promete parecer contrário e prevê derrota da “PEC da Blindagem” no Senado

Brasília – O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), designado relator da Proposta de Emenda à Constituição conhecida como “PEC da Blindagem”, afirmou que o texto “joga a imagem do Legislativo no lixo” e será rejeitado pelo Senado.

O parecer contrário será apresentado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima quarta-feira, 24 de setembro. Segundo Vieira, a data da votação dependerá do presidente do colegiado, Otto Alencar (PSD-BA), que ainda avaliará o ambiente entre os integrantes da comissão.

“Quem cometeu crime deve responder por ele. Não faz sentido fragilizar a democracia apenas para salvar quem quer se proteger”, declarou o relator durante evento em São Paulo. Para o senador, há dois grupos de parlamentares favoráveis à proposta: “os que não entenderam o que estavam votando e os que querem proteger bandido”.

Restrição a operações contra congressistas

A PEC foi aprovada pela Câmara na semana passada em votação acelerada. O texto exige autorização prévia do Congresso para que o Judiciário processe criminalmente deputados e senadores. A deliberação seria secreta, evitando desgaste individual de parlamentares que se manifestarem pela suspensão de investigações.

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Não há período de transição previsto. Caso aprovada sem mudanças, processos já em curso contra parlamentares poderiam ser paralisados e a medida também alcançaria deputados estaduais.

Argumentos do parecer

Vieira sustenta que o Congresso não precisa de imunidade adicional para o exercício do mandato. Ele lembra que dispositivo semelhante vigorou até 2001, período em que nenhuma investigação contra parlamentares avançou, apesar de centenas de solicitações. Para o relator, a proposta abre espaço para maior infiltração do crime organizado no Parlamento, diante da expectativa de que não haverá apuração de delitos.

Reação nas redes e no Senado

A aprovação na Câmara provocou forte repercussão negativa nas redes sociais, levando alguns deputados a pedir desculpas aos eleitores. O senador Otto Alencar manifestou oposição ao texto logo após a votação dos deputados. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), indicou a aliados que não pretende apressar a tramitação e enviou a matéria à CCJ.

No Instagram, o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) bloqueou comentários e passou a justificar publicamente seu voto a favor da proposta. Pedro Campos (PSB-PE) recebeu críticas na mesma rede social, e imagens de parlamentares que aprovaram a PEC circulam em grupos de WhatsApp no Distrito Federal e no Maranhão.

Parlamentares atribuem o desgaste da medida à proximidade das eleições de 2026 e ao receio de atritos com o Supremo Tribunal Federal.

Com informações de Folha de S.Paulo

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