Um esforço conjunto da GSMA com grandes operadoras africanas e fabricantes de aparelhos para viabilizar smartphones de aproximadamente US$ 40 ganhou novo impulso durante o Mobile World Congress, em Barcelona. O objetivo é colocar no mercado dispositivos 4G de baixíssimo custo em seis países africanos — República Democrática do Congo, Etiópia, Nigéria, Ruanda, Tanzânia e Uganda — e, assim, conectar cerca de 20 milhões de pessoas que hoje permanecem offline.
De acordo com a GSMA, as negociações comerciais com as fabricantes ainda estão em andamento. A responsável por assuntos externos da entidade, Alix Jagueneau, informou que mais de 15 empresas foram consultadas e sete demonstraram disposição para participar do projeto.
A meta de preço entre US$ 30 e US$ 40, definida a partir de estudos da GSMA sobre acessibilidade, esbarra na recente alta dos componentes de memória, fator que pressiona o orçamento dos aparelhos. Jagueneau explicou que o valor final dependerá também de modelos de financiamento e da carga tributária em cada mercado.
Tributos pesam até 30% no preço
A GSMA avalia que impostos de importação e sobretaxas — em alguns lugares os smartphones ainda são classificados como itens de luxo — podem acrescentar até 30% ao preço ao consumidor. A entidade cita a remoção, no ano passado, de um imposto de luxo de 9% para aparelhos até 2.500 rands (cerca de US$ 150) na África do Sul como exemplo a ser seguido.
Nenhum dos seis países do piloto anunciou, por enquanto, cortes tributários específicos para a categoria de entrada. A GSMA afirma manter diálogo com autoridades locais para buscar incentivos que tornem o plano viável.
Escassez de memória e margem apertada
Para o analista Ahmad Shehab, da Counterpoint Research, produzir smartphones na faixa de US$ 40 é difícil nas condições atuais de custo. Ele observa que chips de memória com menor capacidade — essenciais para manter o preço baixo — estão cada vez mais raros, pois os fornecedores priorizam componentes de maior valor agregado. No quarto trimestre de 2025, o preço médio de venda de um smartphone no Oriente Médio e na África ficou em US$ 188, bem acima da meta do projeto.

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Iniciativas similares já enfrentaram obstáculos no passado. Em 2014, o Google lançou o programa Android One para aparelhos acessíveis na Ásia e, depois, na África, mas o conceito não ganhou escala globalmente.
A GSMA espera ter aparelhos de prova de conceito ainda este ano e começar a oferecê-los aos consumidores no fim de 2026. Para Jagueneau, a ampliação do acesso a smartphones baratos continua essencial para reduzir a exclusão digital, exigindo ação coordenada de operadoras, fabricantes e governos.
Com informações de TechCrunch







