Congresso do HSRC aborda desafios da oncologia personalizada no Brasil

Congresso do HSRC aborda desafios da oncologia personalizada no Brasil

Congresso do HSRC aborda desafios da oncologia personalizada no Brasil

A oncologia vive uma transformação profunda nas últimas décadas. Se antes o foco estava centrado na doença, hoje o cuidado se volta cada vez mais ao paciente de forma individualizada – uma mudança que redefine diagnósticos, tratamentos e resultados clínicos. A chamada “oncologia personalizada” combina avanços tecnológicos com uma visão integrada, levando em conta características específicas de cada pessoa e do tumor.

Segundo Alexandre Ferreira Oliveira, presidente da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica, esse novo modelo considera fatores como o estado geral de saúde do paciente, o estágio da doença e até o perfil genético do tumor. “Antigamente tratávamos a doença. Hoje tratamos cada vez mais o paciente, com base no estadiamento, na performance status e no DNA tumoral”, explica. O médico será um dos palestrantes da quarta edição do Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita, que acontecerá nos dias 14 e 15 de maio, em Vitória.

A oncologia vive uma transformação profunda nas últimas décadas. Se antes o foco estava centrado na doença, hoje o cuidado se volta cada vez mais ao

Essa abordagem tem impacto direto nos resultados clínicos, permitindo terapias mais direcionadas e eficazes. No entanto, o especialista alerta para um dos principais desafios: o acesso desigual a essas inovações. “Nem sempre esse tratamento individualizado está disponível na rede pública. Existe um grande gap entre a saúde suplementar e o SUS”, afirma.

O avanço tecnológico também trouxe um aumento significativo nos custos do tratamento oncológico – um fenômeno observado globalmente. De acordo com Alexandre Ferreira Oliveira, o câncer pode ser considerado uma das doenças mais caras de se tratar atualmente. Isso se deve, em parte, ao aumento da sobrevida dos pacientes, inclusive em casos metastáticos, o que demanda múltiplas linhas de tratamento ao longo do tempo.

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“Hoje temos primeira, segunda, terceira e até quarta linha terapêutica, além de cirurgias de metástases, que antes não eram realizadas. Esses procedimentos podem envolver técnicas minimamente invasivas, como videolaparoscopia e cirurgia robótica, além de exames de alto custo, como o PET-CT, e terapias modernas, como imunoterapia e terapia-alvo”, detalha.

A oncologia vive uma transformação profunda nas últimas décadas. Se antes o foco estava centrado na doença, hoje o cuidado se volta cada vez mais ao

Diante desse cenário, medidas de prevenção e diagnóstico precoce surgem como principais estratégias para equilibrar inovação e sustentabilidade nos sistemas de saúde. “A melhor forma de reduzir custos e melhorar resultados é diagnosticar cedo e tratar adequadamente desde o início”, reforça.

Outro ponto central da nova oncologia é o cuidado centrado no paciente, que influencia diretamente as decisões terapêuticas. O câncer, embora seja uma doença genética, nem sempre é hereditário, e seu comportamento varia conforme mutações específicas. Isso exige uma abordagem multidisciplinar, com decisões tomadas em conjunto por diferentes especialistas.

“Essas definições são feitas em tumor boards, com vários profissionais discutindo o melhor tratamento para cada caso. Isso inclui desde terapias clínicas até a indicação cirúrgica”, explica o presidente da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica.

O futuro da oncologia também passa pelo uso crescente da tecnologia, especialmente da inteligência artificial. Para o especialista, a ferramenta deve ampliar a precisão diagnóstica e reduzir falhas, sem substituir o papel do médico. “A inteligência artificial vai melhorar a assertividade, mas não substitui o discernimento clínico nem a humanização do cuidado”, afirma. A tendência é que essas tecnologias sejam incorporadas de forma cada vez mais ampla, inclusive na cirurgia, com integração à robótica e a outros recursos avançados.

A oncologia vive uma transformação profunda nas últimas décadas. Se antes o foco estava centrado na doença, hoje o cuidado se volta cada vez mais ao

CONTRASTES MARCANTES – Apesar dos avanços, o cenário brasileiro ainda revela contrastes marcantes. O país reúne centros de excelência e profissionais altamente qualificados, mas enfrenta desigualdades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento, especialmente na rede pública.

“O Brasil tem a melhor medicina do mundo, mas também a pior. Em alguns locais, a fila para uma colonoscopia ultrapassa dois anos. Isso faz com que pacientes evoluam de estágios iniciais, potencialmente curáveis, para fases avançadas e inoperáveis”, alerta.

Além da demora no diagnóstico, há obstáculos ao longo de toda a jornada do paciente, desde a realização de exames até o início do tratamento. Em muitos casos, dificuldades financeiras básicas, como o custo do transporte, impedem o acesso aos serviços de saúde.

“Se a pessoa tem condição financeira, ela consegue diagnóstico e tratamento em poucos dias. Mas, para quem depende exclusivamente do sistema público, o caminho pode ser longo e difícil”, conclui.

Nesse contexto, a oncologia avança rapidamente em tecnologia e conhecimento, mas ainda enfrenta o desafio de tornar essas inovações acessíveis de forma equitativa – um passo essencial para garantir melhores desfechos para todos os pacientes.

CONGRESSO – O médico e presidente da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica, Alexandre Ferreira Oliveira, integra o time de especialistas que vão participar do 4º Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita, que acontecerá no Centro de Convenções de Vitória, nos dias 14 e 15 de maio. Este ano, o evento trará um formato inovador, o auditório silencioso, alinhado às tendências mais modernas de encontros científicos na área da saúde. 

“Diferentes apresentações acontecem ao mesmo tempo e num único ambiente, permitindo que o público escolha qual conteúdo deseja acompanhar. Cada participante recebe um fone de ouvido individual, por meio do qual pode selecionar o canal correspondente à palestra de seu interesse”, explicou Simone Duarte, que é gerente do Instituto de Ensino, Pesquisa e Inovação Santa Rita e também está à frente da organização do Congresso.

“Além de tornar o evento mais dinâmico, o formato permite oferecer mais conteúdos em menos tempo. Dessa maneira, cada participante pode montar sua própria experiência”, finaliza Marilucia Dalla, presidente da Afecc-Hospital Santa Rita. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site jacredenciei.com.br.

Serviço

4º Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita
📅 14 e 15 de maio de 2026
📍 Centro de Convenções de Vitória
🏥 Realização: Hospital Santa Rita

Inscrições: jacredenciei.com.br

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