A rotina familiar mudou desde que celulares e tablets passaram a fazer parte do cotidiano infantil. Entre proibir e liberar totalmente o acesso, mães e pais buscam um meio-termo que assegure proteção sem restringir o aprendizado.
Exposição precoce exigiu mudanças
A publicitária Denise Targueta Ferreira, 36 anos, de Domingos Martins (ES), vive o desafio com o filho Francisco, 8, e a caçula Celeste Maria, 1. Mãe solo no início da primeira gestação, Denise recorreu às telas para entreter o primogênito ainda bebê. “A primeira infância dele teve muito contato com acesso à internet, o que gerou um prejuízo muito grande”, recorda.
O excesso atingiu a autorregulação de Francisco na escola. A solução foi um “detox” digital, seguido de novas regras: nada de dispositivo próprio, apenas serviços de streaming com controle parental e jogos de computador sem chat. O uso de celular ocorre somente na presença dos pais.
Tempo de tela limitado e sem redes sociais
Curioso, o menino desenvolveu interesse por história medieval e diz ser “youtuber”. Para estimular a criatividade, os pais liberam vídeos educativos, mas fiscalizam o horário. Quando o filho exagera, Denise envia recados que tomam a tela: “Francisco, saia do YouTube!”.
Na casa da família, redes sociais são exclusivas dos adultos. Denise compara deixar uma criança sozinha nesses aplicativos a “largá-la em uma estrada movimentada”. O garoto usa apenas a conta da mãe no YouTube e, mesmo assim, sob supervisão.
Responsabilidade vem antes do primeiro celular
Após completar 8 anos, Francisco ganhou pequenas autonomias, como ir e voltar da escola caminhando. O próximo passo – ter um smartphone – ainda está em discussão. “Ele sabe que, no momento certo, terá mais acesso, mas sempre com monitoramento até alcançar maturidade para assumir a responsabilidade”, explica a mãe.
Especialista defende conversa aberta
Gerente de TI e colunista do Folha Vitória, Jackson Galvani ressalta que o diálogo é o primeiro passo para segurança digital. “Pergunte o que eles fazem on-line, sem julgamento. Filhos que conversam pedem ajuda quando algo errado acontece”, afirma.
O especialista recomenda controles parentais para filtrar conteúdo e limitar tempo de tela, além de observar sinais de alerta:

Imagem: Canva Pro
- Esconder a tela ao ver um adulto
- Mudança de humor após usar o aparelho
- Mensagens em horários incomuns
- Contato com desconhecidos
Galvani reforça que a melhor defesa é o conhecimento da criança sobre golpes, perfis falsos e solicitações indevidas: “A proteção não é o app mais sofisticado, e sim ela saber que pode contar com você sem medo”.
Como ativar o controle parental
Tanto Android quanto iOS oferecem ferramentas gratuitas para que responsáveis gerenciem dispositivos infantis.
No Android
- Acesse Configurações > Bem-estar digital e controles parentais > Controles parentais.
- Escolha a conta da criança, toque em Supervisionar conta e siga as instruções.
- Confirme senhas, defina limites de tempo e ative filtros de conteúdo adulto.
- O app Family Link permite vincular várias contas, definir horários e ver localização em tempo real.
No iOS
- No aparelho da criança, vá em Ajustes > Tempo de Uso > Conteúdo e Privacidade.
- Configure limites por aplicativo, classificações etárias e tempo diário.
- No dispositivo do responsável, abra Ajustes > [seu nome] > Família para criar um grupo.
- Selecione o perfil da criança para ajustar restrições e acompanhar localização.
Com orientações claras, limites bem definidos e participação constante dos adultos, o acesso on-line pode se transformar em ferramenta de aprendizado sem colocar a segurança dos pequenos em risco.
Com informações de Folha Vitória







