Motoristas envolvidos em acidentes fatais com BlueCruise estavam provavelmente distraídos, aponta NTSB

A Junta Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) divulgou nesta quarta-feira (11) documentos que indicam que os condutores de dois veículos Ford equipados com o sistema de direção sem as mãos BlueCruise, envolvidos em colisões fatais em 2024, provavelmente estavam distraídos instantes antes do impacto.

O material faz parte da investigação que será debatida em audiência pública marcada para 31 de março, em Washington, quando o órgão deve apresentar recomendações à montadora. O relatório final deve ser publicado nas semanas seguintes. Embora investigue acidentes, a NTSB não regula o setor.

Texas: tela central atraiu a atenção do motorista

O primeiro acidente ocorreu em 15 de fevereiro de 2024, em San Antonio (Texas). Um Ford Mustang Mach-E 2022, com BlueCruise ativado, trafegava na pista central da Interestadual 10 a cerca de 74 mph (119 km/h) quando atingiu um Honda CR-V 1999 parado. O condutor do Ford sofreu ferimentos leves; o motorista do Honda morreu.

De acordo com o registro do sistema de monitoramento por câmeras do veículo, o motorista olhou para a tela de infotainment durante os cinco segundos anteriores à colisão. Ele recebeu dois alertas visuais e sonoros para redirecionar a atenção à via nos 30 segundos que antecederam o impacto, mas não freou. À polícia, afirmou que buscava no GPS um ponto de recarga. Posteriormente, contratou advogado e não prestou depoimento à NTSB.

Filadélfia: celular fora do campo das câmeras

O segundo caso aconteceu em 3 de março de 2024, na Interestadual 95, em Filadélfia, às 3h16. Um Mustang Mach-E 2022 colidiu a cerca de 72 mph (116 km/h) contra um Hyundai Elantra 2012 parado na faixa da esquerda de um trecho em obras (limite de 45 mph). O Elantra, por sua vez, foi projetado contra um Toyota Prius 2006 também imobilizado.

Os motoristas do Elantra e do Prius, que haviam parado por motivo não esclarecido, morreram. A condutora do Ford, Dimple Patel, 23 anos, sofreu ferimentos leves. A polícia constatou embriaguez e, em dezembro de 2024, ela foi acusada de homicídio sob efeito de álcool; o julgamento ainda não tem data. Registros da NTSB mostram que as câmeras confirmaram seus olhos voltados para a via nos cinco segundos anteriores ao choque, porém uma foto capturada dois segundos antes sugere que ela segurava um celular acima do volante, fora do alcance do sistema de monitoramento.

Motoristas envolvidos em acidentes fatais com BlueCruise estavam provavelmente distraídos, aponta NTSB - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Limitações tecnológicas e investigações paralelas

A Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA) também investiga o BlueCruise. Em 2025, o órgão identificou dificuldade do sistema em detectar veículos parados e elevou o nível da apuração, à qual a Ford respondeu em agosto do mesmo ano. O processo segue em andamento.

A Ford afirma que o BlueCruise é um recurso de conveniência e que o motorista deve manter controle total do veículo. O sistema pode ser adquirido por US$ 2.495 à vista ou US$ 495 anuais. A montadora destaca que nem o BlueCruise nem os recursos de alerta de colisão frontal (FCW) e frenagem autônoma de emergência (AEB) substituem a atenção do condutor.

Segundo relato da própria Ford à NTSB, limitações atuais de câmeras e radares fazem com que o AEB tenha pouca capacidade de reconhecer obstáculos imóveis em cenários semelhantes aos dos acidentes. Em ambos os casos investigados, nenhum subsistema aplicou frenagem.

Com informações de TechCrunch

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