CEO da Ring tenta conter críticas de privacidade após anúncio no Super Bowl

Desde que a Ring exibiu seu primeiro comercial no Super Bowl, em fevereiro de 2026, o fundador e CEO Jamie Siminoff tem percorrido emissoras como CNN e NBC, além de conceder entrevistas à imprensa escrita, tentando dissipar receios sobre privacidade. O vídeo apresentou o Search Party, recurso que usa inteligência artificial para analisar imagens de câmeras Ring na busca por cães perdidos.

No funcionamento do Search Party, quando um animal desaparece, o sistema envia alertas a usuários da vizinhança solicitando verificação de gravações. Quem recebe o pedido pode colaborar ou ignorá-lo, permanecendo anônimo. Segundo Siminoff, “não é diferente de encontrar um cachorro no quintal, olhar a coleira e decidir ligar ou não para o número”.

A polêmica, afirma o executivo, nasceu da animação exibida no comercial: um mapa com círculos azuis que se expandiam conforme as câmeras eram acionadas. “Eu mudaria aquilo”, disse ele ao TechCrunch, admitindo que a imagem passou a impressão de vigilância em massa.

Contexto de alta sensibilidade

O debate coincidiu com o desaparecimento de Nancy Guthrie, de 84 anos, mãe da apresentadora Savannah Guthrie, em 31 de janeiro, no Arizona. Uma câmera Google Nest registrou um suspeito tentando cobrir a lente, colocando câmeras residenciais no centro de discussões nacionais sobre segurança e privacidade. Siminoff argumenta que mais câmeras poderiam ter ajudado a resolver o caso e citou imagens de um veículo suspeito captadas por dispositivos Ring a 4 km da casa de Guthrie.

Outros recursos e parcerias

O Search Party faz parte de um trio de ferramentas que inclui o Fire Watch, para mapeamento colaborativo de incêndios, e o Community Requests, que possibilita à polícia solicitar gravações a moradores de determinadas áreas. Relançado em setembro, o Community Requests é operado em conjunto com a Axon, fabricante de câmeras corporais e da plataforma Evidence.com.

Uma parceria anterior com a Flock Safety, dona de leitores de placas veiculares, foi encerrada dias após o comercial. Siminoff não comentou se o fim do acordo teve relação com relatos de compartilhamento de dados da Flock com a Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).

Criptografia x funcionalidades

Para proteger dados, a Ring oferece criptografia de ponta a ponta, que impede até funcionários da empresa de acessarem vídeos. O recurso, porém, precisa ser ativado manualmente e, segundo documentos da própria Ring, desativa funções como linhas do tempo, notificações ricas, respostas rápidas, gravação 24/7, pré-rolo, buscas em vídeo por IA e o Familiar Faces.

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Imagem: Getty

Reconhecimento facial e consentimento

Lançado em dezembro, o Familiar Faces permite catalogar até 50 visitantes frequentes e exibe alertas personalizados, por exemplo “Mãe na porta”. Questionado sobre consentimento de pessoas filmadas, Siminoff declarou apenas que a empresa segue “leis locais e estaduais aplicáveis”. Ele também negou acesso da Amazon — controladora da Ring — a esses dados, mas afirmou que, se um dia o cliente optar, isso “talvez” possa mudar.

Expansão dos negócios

Com mais de 100 milhões de câmeras instaladas, a Ring testa soluções para o setor empresarial, como uma linha de câmeras “elite” e trailers de segurança. Siminoff não descarta drones externos no futuro e, embora diga que a empresa “definitivamente não trabalha” hoje com leitores de placas, evita prometer que nunca o fará.

Ao ser questionado sobre o risco de imagens caírem em mãos de autoridades federais de imigração, o CEO afirmou que os pedidos de gravação passam apenas por forças policiais locais e citou o relatório de transparência anual da empresa.

A controvérsia sobre privacidade ocorre em meio a relatos de vigilância governamental. Reportagem recente da NPR detalhou casos em que agentes federais fotografaram e identificaram civis sem antecedentes imigratórios, aumentando a pressão sobre empresas que coletam e armazenam vídeos residenciais.

Com informações de TechCrunch

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