São Francisco (EUA) – Theo Baker, aluno da turma de 2026 de Stanford que expôs falhas científicas em pesquisas assinadas pelo então reitor Marc Tessier-Lavigne e levou à renúncia do dirigente em 2023, lança nesta terça-feira (18) o livro How to Rule the World. A obra chega às livrarias a menos de um mês da formatura do autor e detalha, segundo ele, a relação “insidiosa” entre a universidade e a indústria de capital de risco.
Baker, de 22 anos, ganhou notoriedade logo no primeiro semestre de faculdade ao publicar, no jornal estudantil The Stanford Daily, reportagens que apontavam possíveis manipulações de imagens em artigos científicos coassinados por Tessier-Lavigne. O trabalho rendeu ao calouro o Prêmio George Polk, um dos mais prestigiosos do jornalismo norte-americano, e motivou a abertura de uma investigação interna que culminou na saída do reitor em julho de 2023.
O impacto da apuração também atraiu Hollywood: a Warner Bros. e a produtora Amy Pascal adquiriram os direitos para adaptação da história. Agora, Baker reúne quatro anos de entrevistas e observações sobre o ambiente empreendedor do campus em um relato que, segundo pré-venda de livrarias norte-americanas, tem potencial para figurar nas listas de mais vendidos.
Pressões e conflitos durante a investigação
Em entrevista ao TechCrunch, o estudante contou ter recebido alertas de professores e ex-alunos para abandonar a pauta. O próprio conselho universitário, que abriu investigação paralela às reportagens, incluía um conselheiro com investimento de US$ 18 milhões na Denali Therapeutics, empresa fundada por Tessier-Lavigne. Segundo Baker, o então reitor não respondeu a pedidos de entrevista e chegou a enviar e-mails à comunidade acadêmica classificando as matérias como “escandalosamente falsas”.
“Stanford dentro de Stanford”
No livro, o autor descreve o que chama de “universidade paralela”: um círculo restrito em que investidores, executivos do Vale do Silício e veteranos selecionam calouros considerados potenciais fundadores de startups bilionárias. Entre os exemplos citados está uma disciplina não oficial ministrada por um CEO do setor de tecnologia – apelidada pelos alunos de “How to Rule the World” – que reúne apenas 12 participantes por ano e funciona, segundo Baker, como um clube de networking de elite.
Ele relata ainda que fundos de venture capital contratam estudantes mais velhos para identificar talentos assim que chegam ao campus. Entrar em clubes públicos de empreendedorismo, diz, pode ser visto como sinal negativo; o prestígio está nos grupos “secretos” que conectam novatos a investidores. “É um sistema que entrega grandes somas de dinheiro e poder a adolescentes sem salvaguardas adequadas”, afirma.

Imagem: Internet
Do colapso da FTX à febre da IA
Baker começou o curso em 2022, período marcado pela quebra da plataforma de criptomoedas FTX em novembro e, semanas depois, pelo lançamento do ChatGPT. O estudante lembra que muitos colegas migraram rapidamente do entusiasmo com cripto para a inteligência artificial. “Ouvi gente dizer que era mais fácil captar recursos para uma startup do que conseguir estágio”, relata.
Futuro ligado ao jornalismo
Embora tenha ingressado na universidade pensando em criar uma empresa, Baker diz ter descoberto na reportagem sua vocação. “É quase uma aflição, mais que uma carreira”, resume. Após a formatura, prevista para junho, ele pretende seguir no jornalismo, ainda que aberto a projetos que unam tecnologia e investigação.
Com informações de TechCrunch




