Em artigo publicado na Folha Vitória, o colunista e ensaísta Fabrício Zavarise afirma que a habilidade de formular perguntas claras e precisas para sistemas de inteligência artificial (IA) — prática conhecida como prompting — será decisiva para a empregabilidade a partir dos próximos anos.
Segundo o autor, o debate educacional brasileiro concentrou-se, durante décadas, naquilo que a escola deveria responder, mas a chegada de modelos de linguagem generativa, como ChatGPT, Gemini e Copilot, inverteu essa lógica. “Quem souber perguntar terá vantagem competitiva”, resume Zavarise.
Impacto na educação
O especialista destaca que o currículo nacional continua orientado para testes de múltipla escolha e reprodução de conteúdo, enquanto o mercado exigirá profissionais capazes de:
- definir problemas com precisão;
- especificar contexto, restrições e critérios de qualidade para a IA;
- avaliar respostas quanto a possíveis erros, vieses ou lacunas.
Para ele, disciplinas como filosofia, retórica, língua materna, literatura e lógica devem ser resgatadas a fim de desenvolver o pensamento crítico necessário ao uso avançado dessas ferramentas.
Risco de novas desigualdades
Zavarise alerta que o acesso desigual a competências cognitivas pode ampliar a distância entre profissionais. Quem domina estruturação de raciocínio e leitura aprofundada tende a extrair melhores resultados da mesma tecnologia, enquanto usuários sem essas habilidades correm o risco de produzir trabalhos inferiores.

Imagem: Internet
Embora modelos de IA estejam cada vez mais aptos a inferir contexto e solicitar esclarecimentos, o colunista sustenta que continuará essencial saber avaliar criticamente o material gerado, reconhecendo falhas e ajustando instruções.
Para o autor, ignorar a formação em formulação de perguntas significa preparar estudantes apenas para posições de menor qualificação em um cenário dominado por IA.
Com informações de Folha Vitória







