Saída dos Emirados da Opep eleva riscos de custo para diesel, fertilizantes e fretes no Espírito Santo

A decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Opep+, válida a partir de 1º de maio de 2026, acende o alerta no agronegócio capixaba. O movimento pressiona três itens centrais para a produção rural do Espírito Santo: preço do diesel, custo dos fertilizantes importados e valor do frete marítimo.

Mercado mais volátil

Os Emirados ampliaram a capacidade de produção da estatal ADNOC para 4,85 milhões de barris por dia e projetam chegar a 5 milhões até 2027. Sem a obrigação de cumprir cotas coletivas, o país busca liberdade para explorar todo o potencial, o que, segundo o economista‐chefe do IBEF-ES, Felipe Storch Damasceno, sinaliza fragmentação na governança do petróleo. “Com menos países seguindo regras conjuntas, a Opep perde força para estabilizar preços e o mercado tende a ficar mais volátil”, afirmou.

Efeitos no Espírito Santo

Produtor relevante de petróleo e gás, o Espírito Santo ganha receita extra quando o barril valoriza, mas, ao mesmo tempo, vê seus custos agrícolas crescerem.

  • Diesel: combustível essencial para tratores, caminhões e sistemas de irrigação. Qualquer oscilação no mercado internacional chega rapidamente às bombas.
  • Fertilizantes: o Brasil importa 85% a 90% do insumo; cerca de 40% da ureia exportada globalmente sai do Oriente Médio. No café conilon, o item representa 33% do custo operacional.
  • Frete marítimo: café, celulose, pimenta-do-reino, granito e aço dependem de rotas estáveis. Instabilidade no petróleo encarece combustível dos navios, seguros e operações portuárias.

Brasil em expansão

Fora do cartel, produtores eficientes podem avançar. O Brasil atingiu em fevereiro de 2026 produção recorde de 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia, segundo a ANP, reforçando a competitividade nacional em um cenário de regras menos rígidas.

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Para Damasceno, o Estado precisa conciliar oportunidades da cadeia de óleo e gás com a vulnerabilidade de uma economia aberta e dependente de transporte. “Energia continuará sendo variável estratégica para inflação, competitividade e planejamento regional”, concluiu.

Com informações de Folha Vitória

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