A SpaceX tornou público na noite de quarta-feira (20) o prospecto de abertura de capital (formulário S-1) que pretende levar a companhia à Nasdaq ainda este ano, sob o ticker SPCX. Fundada por Elon Musk há 24 anos, a empresa planeja captar cerca de US$ 75 bilhões e pode estrear avaliada em aproximadamente US$ 1,75 trilhão, o que a colocaria entre as companhias abertas mais valiosas do mundo.
Finanças expostas
O documento oferece o retrato financeiro mais detalhado já divulgado pela SpaceX. Em 2025, a companhia registrou receita superior a US$ 18 bilhões e prejuízo de US$ 4,9 bilhões. Desde a criação, o total acumulado de perdas atinge mais de US$ 37 bilhões.
O negócio hoje é dominado pelo Starlink, serviço de internet via satélite que respondeu por pouco mais da metade do faturamento de 2025, cerca de US$ 11 bilhões.
Aposta pesada em inteligência artificial
Após incorporar a xAI, empresa de IA criada por Musk, a SpaceX direcionou cerca de 60% de seus investimentos de capital em 2025 – algo próximo de US$ 20 bilhões – para a divisão de inteligência artificial. Mesmo assim, a área registrou prejuízo de bilhões de dólares e avanço de receita de apenas 22% no período.
No prospecto, a companhia calcula um mercado endereçável total de US$ 28,5 trilhões, dos quais US$ 22,7 trilhões estariam ligados a aplicações corporativas de IA.
Starship no centro da estratégia
Boa parte do futuro da empresa depende do Starship, o foguete reutilizável de grande porte que já passou por explosões e melhorias técnicas. O 12.º voo pode ocorrer ainda esta semana. A SpaceX projeta iniciar entregas de cargas em órbita na segunda metade de 2026, lançar satélites Starlink no mesmo período e colocar em órbita a geração V2 voltada a serviços móveis em 2027.
Em 2025, o programa Starship consumiu US$ 3 bilhões em pesquisa e desenvolvimento; no primeiro trimestre de 2026, mais US$ 930 milhões. A companhia afirma que a nave é essencial para reduzir em 99% ou mais o custo de acesso ao espaço.
Mercados futuros e ideias ambiciosas
Além de missões à Lua e a Marte, o prospecto menciona:

Imagem: Getty
- Transporte ponto a ponto na Terra com o Starship, permitindo viagens intercontinentais em minutos;
- Turismo espacial com voos de civis;
- Fábricas em órbita, na Lua e em Marte para produzir materiais, medicamentos e combustível;
- Operações de mineração de asteroides.
Elon Musk concentra o poder
Após a oferta, Musk permanecerá como CEO, CTO e presidente do conselho. Ele detém 93,6% das ações Classe B – que conferem 10 votos cada – e, por isso, controla atualmente 85,1% do poder de voto. Mesmo após a listagem, essa fatia deverá continuar acima de 50%, permitindo que a empresa não seja obrigada a ter maioria de conselheiros independentes.
O bilionário também recebeu, no início de 2026, um novo pacote de remuneração que pode render até 1 bilhão de ações Classe B se o valor de mercado da SpaceX atingir US$ 7,5 trilhões e houver uma colônia permanente em Marte com pelo menos 1 milhão de habitantes. Há bônus adicionais caso a companhia passe a operar data centers espaciais capazes de fornecer 100 terawatts de capacidade de processamento ao ano.
Riscos e disputas judiciais
O S-1 dedica 36 páginas a fatores de risco, incluindo ações judiciais resultantes da absorção das empresas de IA e mídia social de Musk, custos que a SpaceX estima em US$ 530 milhões.
A data exata da estreia na Nasdaq ainda não foi definida, mas, mantido o cronograma, o IPO da SpaceX poderá se tornar o maior já visto, tanto em captação quanto em valorização.
Com informações de TechCrunch





