Empresas que buscam gerar eletricidade por meio da fusão nuclear já arrecadaram mais de US$ 10 bilhões em investimentos, com pelo menos uma dúzia delas obtendo rodadas superiores a US$ 100 milhões. O interesse ganhou força à medida que a demanda por energia de data centers cresce e que os protótipos se aproximam da fase comercial.
Como funciona a fusão nuclear
O processo tenta reproduzir, em escala controlada, a mesma reação que alimenta as estrelas: a união de átomos leves, liberando grande quantidade de energia. Laboratórios já conseguiram controlar o fenômeno e até superar, por instantes, a energia usada para iniciar a reação, mas ainda não geraram excedente suficiente para uma usina.
Duas estratégias dominantes
As startups apostam principalmente em confinamento magnético ou confinamento inercial para atingir esse objetivo.
Confinamento magnético
Nessa abordagem, campos magnéticos muito intensos mantêm o plasma – mistura de partículas super-aquecidas – isolado. A Commonwealth Fusion Systems (CFS) monta ímãs capazes de gerar 20 teslas, cerca de 13 vezes a força de um equipamento de ressonância magnética. Os magnetos, feitos de supercondutores de alta temperatura, precisam ser resfriados a -253 °C com hélio líquido.
A empresa constrói o demonstrador Sparc em Massachusetts e pretende ligá-lo no fim de 2026. Caso tenha êxito, iniciará a construção da usina comercial Arc na Virgínia entre 2027 e 2028.
Dentro do confinamento magnético, há dois formatos principais:
- Tokamak – proposto por cientistas soviéticos nos anos 1950, possui forma de rosquinha ou esfera com orifício central. Exemplos: Joint European Torus (Reino Unido, 1983-2023) e ITER (França, previsto para operar no fim da década de 2030). A britânica Tokamak Energy trabalha no modelo esférico ST40, atualmente em upgrade.
- Stellarator – semelhante ao tokamak, mas com percurso torcido para acompanhar o comportamento do plasma. O Wendelstein 7-X opera na Alemanha desde 2015. Startups como Proxima Fusion, Renaissance Fusion, Thea Energy e Type One Energy também seguem essa linha.
Confinamento inercial
A técnica comprime pastilhas de combustível até que seus átomos se fundam. Normalmente laser – vários feixes convergem ao mesmo tempo sobre o alvo. O método é o único que já alcançou o breakeven científico, quando a reação libera mais energia do que consome para iniciar, feito registrado no National Ignition Facility, no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia. O cálculo, porém, não inclui a eletricidade gasta pela instalação.

Imagem: Getty
Entre as empresas que usam lasers destacam-se Focused Energy, Inertia Enterprises, Marvel Fusion e Xcimer. Há ainda propostas sem laser: a britânica First Light Fusion emprega pistões, enquanto a Pacific Fusion estuda pulsos eletromagnéticos.
Outros caminhos em desenvolvimento
Além das duas abordagens principais, pesquisadores investigam rotas como magnetized target fusion, confinamento magneto-eletrostático e fusão catalisada por múons, entre outras, cujos detalhes ainda serão divulgados.
Embora nenhuma tecnologia de fusão tenha alcançado produção comercial, o volume de capital e a variedade de projetos indicam uma corrida acelerada para que, pela primeira vez, a energia gerada pelas estrelas possa abastecer a rede elétrica terrestre.
Com informações de TechCrunch







