Pesquisadores da Universidade de Tübingen, em parceria com equipes internacionais, apresentaram uma inteligência artificial capaz de planejar experimentos completamente novos em física quântica e descrevê-los de maneira facilmente compreensível para cientistas humanos. O trabalho foi divulgado em 24 de fevereiro de 2026 na revista Nature Machine Intelligence.
A ferramenta, baseada em um modelo de linguagem treinado especificamente para escrever código em Python, não se limita a propor um único arranjo experimental. Ela gera um conjunto de programas que, quando executados, produzem famílias inteiras de experimentos com saídas semelhantes. Isso permite aos pesquisadores visualizar padrões, restrições e a lógica adotada pela IA.
“Sistemas de IA costumam entregar soluções sem explicar o processo. Muitas vezes levávamos dias ou semanas para entender”, afirmou Mario Krenn, professor de Aprendizado de Máquina em Ciência na Universidade de Tübingen e autor sênior do estudo. Segundo ele, a nova abordagem facilita a interpretação das ideias subjacentes em poucas horas.
Modelo de linguagem especializado
De acordo com Sören Arlt, doutorando no grupo de Krenn e primeiro autor da pesquisa, o modelo funciona de forma semelhante ao ChatGPT, porém com domínio em física quântica. “O código produzido serve como uma receita geral: ao rodar, ele projeta configurações experimentais para casos semelhantes e versões mais complexas da mesma tarefa”, explicou.
Experimentos quânticos exigem combinar inúmeros parâmetros — partículas como elétrons, átomos ou fótons, estados quânticos controlados e métodos de medição. Enquanto seres humanos conseguem explorar apenas uma fração dessas combinações, a IA percorre um universo muito maior de possibilidades, identificando soluções inusitadas que podem superar arranjos já consagrados.

Imagem: Internet
Potencial para outras áreas
Os autores destacam que o método incentiva a IA a expressar o que aprendeu em forma de regras reutilizáveis, não apenas soluções isoladas. Dessa maneira, pesquisadores podem aplicar os princípios descobertos a novos problemas em física, ciência dos materiais ou engenharia.
A presidente da Universidade de Tübingen, professora Karla Pollmann, classificou a iniciativa como um passo importante para acelerar descobertas: “Esse novo enfoque permite que pesquisadores de todo o mundo compreendam mais rapidamente os resultados gerados por IA e impulsionem avanços tecnológicos”.
Com informações de Nanowerk






